A delegação liderada por Qalibaf aterrou em Islamabad durante a tarde desta sexta-feira e inclui equipas ligadas a segurança, política, defesa, economia e assuntos jurídicos.
Uma delegação do Irão liderada pelo presidente do parlamento, Mohammed Bagher Qalibaf, aterrou esta sexta-feira em Islamabad, capital do Paquistão, para as conversações de paz com os Estados Unidos, noticiaram os media iranianos.
Segundo a televisão estatal, as negociações só começarão se os norte-americanos, liderados pelo vice-presidente, JD Vance, aceitarem as condições prévias do Irão.
A delegação liderada por Qalibaf aterrou em Islamabad durante a tarde desta sexta-feira e inclui equipas ligadas a segurança, política, defesa, economia e assuntos jurídicos, adiantou a mesma fonte.
Pouco antes da partida, o líder parlamentar tinha afirmado nas redes sociais que faltavam cumprir duas condições acordadas mutuamente, um cessar-fogo no Líbano, alvo na quinta-feira de um ataque sem precedentes por Israel, e a libertação de ativos iranianos bloqueados.
"Estas duas matérias devem ser concretizadas antes de arrancarem as negociações", escreveu.
O levantamento do congelamento dos ativos iranianos sujeitos a sanções não tinha sido mencionado publicamente por Teerão como condição prévia para as negociações, embora esteja incluído na lista de dez exigências para um acordo de paz.
Israel e Estados Unidos consideram que o Líbano não está abrangido pelo cessar-fogo em vigor, apesar de a mediação paquistanesa ter dito inicialmente o contrário e Teerão inclua os ataques de Israel no país vizinho nas violações da trégua que diz terem sido já cometidas.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Paquistão confirmou a chegada da delegação de alto nível do Irão, que integra também o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi.
Horas antes, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, qualificou as conversações como um momento "decisivo", mesmo que seja "difícil".
Num discurso transmitido pela televisão, o governante paquistanês agradeceu às duas partes por aceitarem a proposta de cessar-fogo e o convite a "negociar a paz" naquele país, o que é "motivo de orgulho não só para o Paquistão, como para todo o mundo muçulmano".
As negociações de paz têm como temas centrais o fim duradouro da guerra, do bloqueio do estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano e a produção mísseis de longo alcance, o apoio de Teerão a grupos armados no Médio Oriente - Hezbollah no Líbano, Huthis no Iémen e Hamas na Palestina - e as sanções económicas à República Islâmica.
Além de JD Vance, a delegação norte-americana é constituída pelos enviados da Casa Branca Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Donald Trump.
O Presidente norte-americano afirmou esta sexta-feira que as autoridades iranianas "não têm cartas" para as negociações entre as partes, exceto o bloqueio ao transporte marítimo de hidrocarbonetos no estreito de Ormuz.
"Os iranianos parecem não perceber que não têm cartas, exceto a extorsão de curta duração do resto do mundo utilizando as rotas marítimas internacionais. A única razão pela qual ainda estão vivos hoje é para negociar", escreveu Donald Trump na sua rede social.
Numa mensagem separada, o político republicano acrescentou: "Os iranianos são melhores a manipular os 'media' mentirosos e nas 'relações públicas' do que a lutar!"
O controlo do estreito de Ormuz, por onde passavam 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo antes da guerra lançada em 28 de fevereiro por Estados e Israel contra o Irão, está no centro das negociações de paz, em Islamabad, no fim de semana, entre as delegações norte-americana e iraniana.
O Irão e os Estados Unidos tinham afirmado que o estreito de Ormuz seria desbloqueado depois de terem anunciado na terça-feira à noite um cessar-fogo de duas semanas, mas desde então apenas um pequeno número de navios conseguiu utilizar esta via marítima estratégica colocada sob ameaça militar por Teerão.
Já o vice-presidente norte-americano, JD Vance, aconselhou o Irão a "não brincar" com os Estados Unidos.
"Se nos tentarem enganar, vão descobrir que a equipa de negociação não está muito recetiva", advertiu.
O último processo negocial, que decorria sob mediação de Omã, foi interrompido pelo início da ofensiva aérea israelo-americana contra a República Islâmica em 28 de fevereiro.