Ministro iraniano diz que Rússia e China estão a apoiar Teerão "politicamente e de outras formas"

Lusa | 06 de Março de 2026 às 09:41
Abbas Araghchi
Abbas Araghchi FOTO: AP

O Governo chinês também reiterou a preocupação com a deterioração da situação e instou as partes a evitar uma maior escalada, ao mesmo tempo que anunciou a deslocação de um enviado especial à zona para mediar o conflito.

O ministro Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou esta sexta-feira, em entrevista à rede norte-americana "NBC News", que a China e a Rússia "estão a apoiar politicamente e de outras formas" o Irão, sem especificar como.

"Não vou dar detalhes sobre a nossa cooperação com outros países, exatamente a meio de uma guerra", afirmou o chefe da diplomacia iraniana, acrescentando que a cooperação militar entre Moscovo e Teerão "nunca foi um segredo". Araghchi evitou ainda mencionar Pequim, apesar das perguntas do jornalista da "NBC".

O Kremlin afirmou na quinta-feira que a Rússia não recebeu nenhum pedido oficial de ajuda do Irão, acrescentando que Moscovo não tem intenção de se envolver no conflito, apesar dos laços estreitos com Teerão.

"Não é a nossa guerra", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em declarações à televisão estatal. "Estamos a ver um número cada vez maior de países a serem arrastados para o conflito. Estamos a fazer o que corresponde aos nossos interesses", acrescentou.

A diplomacia russa apelou ao fim da guerra no Irão e manteve conversações com a maioria das potências do Golfo Pérsico, às quais, ao mesmo tempo, o ministério russo dos Negócios Estrangeiros criticou o facto de não terem condenado os ataques iniciais dos Estados Unidos e de Israel à nação persa.

O Governo chinês também reiterou a preocupação com a deterioração da situação e instou as partes a evitar uma maior escalada, ao mesmo tempo que anunciou a deslocação de um enviado especial à zona para mediar o conflito.

A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China Mao Ning afirmou esta semana que a China "se opõe firmemente a qualquer ação que viole a soberania, a segurança e a integridade territorial de outros países" e pediu às partes envolvidas que "evitem agravar as tensões e o conflito".

A China, principal parceiro comercial de Teerão e o maior importador de petróleo do país, condenou a morte do `ayatollah` Ali Khamenei e a violação da soberania do Irão.

Desde que os Estados Unidos e Israel lançaram no passado sábado os ataques contra o Irão, a República Islâmica tem vindo a retaliar através do lançamento de mísseis e envio de drones em toda a região, atingindo o Bahrein, Qatar, Emirados Árabes Unidos e outros países.

Araghchi afirmou, porém, à "NBC" que o Irão não tomou a decisão de iniciar uma guerra com os seus vizinhos. "Não atacámos os nossos vizinhos. Não atacámos países muçulmanos", disse. "Atacámos alvos americanos e bases americanas, instalações americanas, que infelizmente estão localizadas em território dos nossos vizinhos", acrescentou

O chefe da diplomacia disse ainda que falou com os homólogos desses países para explicar que eles não são o alvo, explicando que os ataques contra alvos civis, como áreas residenciais no Bahrein, hotéis no Dubai, e o aeroporto internacional no Kuwait tinham sido "danos colaterais".

Abbas Araghchi disse ainda que o Irão não encerrou o Estreito de Ormuz, por onde transita 20% do petróleo mundial, ainda que na passada segunda-feira, uma alta patente da Guarda da Revolução do Irão, brigadeiro-general Ebrahim Jabbari tenha dito que o estreito estava fechado e que quaisquer navios que tentassem passar seriam considerados alvos.

"Eles não fecharam. São os navios e os petroleiros que não arriscam a travessia porque têm medo que possam ser atingidos por qualquer um dos lados", afirmou o ministro.

"Portanto, não temos intenção de encerrá-lo neste momento, mas, à medida que a guerra continua, iremos considerar todos os cenários", acrescentou porém.