Segundo dados oficiais citados pela imprensa húngara, em vários locais de voto registavam-se filas. Até às 11h00 locais (menos uma hora em Lisboa), 37,98% do eleitores tinham votado, enquanto 25,77% tinham votado até à mesma hora nas eleições legislativas de 2022.
Observadores internacionais registaram este domingo uma "forte afluência" às urnas nas legislativas da Hungria, a ser acompanhadas por "uma das maiores missões" de sempre da OSCE, que destaca "um grande interesse regional" nestas eleições.
"Fomos à abertura às seis da manhã e estamos a ver que há uma forte afluência. Havia pessoas na fila à espera, pessoas de todas as idades. Conhecemos uma senhora de 95 anos. Vimos crianças pequenas a chegar com os pais", comentou a deputada britânica Rupa Huq, chefe da delegação da Assembleia Parlamentar da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (AP-OSCE).
É uma "eleição importante" e "parece que as pessoas querem votar", referiu a responsável, que hoje de manhã visitou uma assembleia de voto numa escola em Peste, na capital húngara.
Segundo dados oficiais citados pela imprensa húngara, em vários locais de voto registavam-se filas. Até às 11h00 locais (menos uma hora em Lisboa), 37,98% do eleitores tinham votado, enquanto 25,77% tinham votado até à mesma hora nas eleições legislativas de 2022.
Além da AP-OSCE, a missão internacional de observação eleitoral integra elementos do Escritório para as Instituições Democráticas e Direitos Humanos (ODIHR, na sigla em inglês) e da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, num total de quase 400 observadores de longo e de curto prazo.
Dois deputados portugueses, Luís Graça (PS) e António Rodrigues (PSD) integram a missão da AP-OSCE.
"É uma missão enorme, uma das maiores missões alguma vez implementadas pela OSCE em qualquer país, e é claro que há um grande interesse em toda a região nestas eleições", disse Sargis Khandanyan, coordenador especial e chefe da missão de observação de curto prazo da OSCE.
Para o responsável, as legislativas deste domingo na Hungria "são eleições importantes e estão a ser muito discutidas em todos os países europeus, e não só nos países europeus".
"Penso que os políticos estão muito interessados em fazer parte da missão de observação para ver com os seus próprios olhos como está a correr", referiu Khandanyan.
Os observadores, explicou o responsável, focam-se nas questões administrativas e na segunda-feira ao início da tarde apresentarão um relatório preliminar.
Esta é a quarta missão de observação da OSCE na Hungria e as recomendações feitas no passado serão tidas em conta.
"Estamos também a verificar estas eleições em relação a essas recomendações e também ao documento de Copenhaga de 1990, que é a base da nossa missão de observação eleitoral", disse o coordenador especial.
Nas legislativas de 2022, os observadores concluíram que os eleitores dispunham de "alternativas distintas" e que as eleições foram bem organizadas.
No entanto, notaram que "o processo foi marcado pela sobreposição generalizada das mensagens do governo e da coligação governamental, que esbateu a linha entre Estado e partido, bem como pelo viés mediático e pelo financiamento opaco de campanhas".
Questionado sobre críticas à presença na equipa de uma antiga tradutora do Presidente russo, Vladimir Putin, o responsável disse tratar-se de "uma questão de pessoal" da organização, remetendo mais esclarecimentos para o secretariado da AP-OSCE.
Estas eleições, que decorrem num ambiente altamente polarizado, estão a ser monitorizadas por grupos alternativos, incluindo ligados ao primeiro-ministro Orbán, algo que o responsável da missão da OSCE desvalorizou, referindo que a autorização cabe à administração eleitoral húngara e "existe um direito de observação".
"Mas penso que, no que toca à credibilidade, a OCSE tem uma grande experiência e sempre foi uma fonte muito credível de informação, de observação eleitoral durante tantos anos, por isso não estamos a competir com nenhuma outra eleição", sublinhou.
"Estamos confiantes de que a nossa declaração e as nossas conclusões são objetivas, abrangentes e não nos vamos comparar com outras observações eleitorais", acrescentou.
Instado a comentar se considera que as eleições serão justas, Khandanyan reiterou: "Estamos a observar o processo eleitoral e não estamos a dar uma avaliação política às eleições. (...) Estamos a trabalhar aqui para o povo húngaro".
"Somos políticos, cada um tem as suas próprias opiniões, etc. Mas deixamos de lado estas opiniões políticas quando estamos aqui na Hungria e tentamos ser neutros", disse ainda.
Cerca de 8,1 milhões de húngaros são chamados hoje a votar nas eleições mais disputadas dos últimos anos e que estão a ser consideradas decisivas, quando o líder da oposição, Péter Magyar (Tisza, centro-direita), surge à frente nas sondagens e com a possibilidade de pôr um fim a 16 anos de governação do primeiro-ministro ultraconservador Viktor Orbán (Fidesz).