Primeiro-ministro húngaro acusa Orbán de deixar défice orçamental acima de 8%

Lusa | 29 de Junho de 2026 às 15:54
Peter Magyar
Peter Magyar FOTO: AP
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Magyar indicou que o Governo está a negociar com a Comissão Europeia um mecanismo para desbloquear cerca de 16 mil milhões de euros em financiamento comunitário.

O primeiro-ministro da Hungria acusou esta segunda-feira o anterior Governo de Viktor Orbán de ter deixado as finanças “numa situação catastrófica”, afirmando que o défice orçamental poderá ultrapassar os 8,3% do produto interno bruto.

Num discurso no Parlamento, Peter Magyar argumentou que o Governo de Orbán ocultou a verdadeira situação das contas públicas.

O atual chefe do Governo afirmou que embora o défice oficial apontasse para 3,7% do PIB, os documentos internos indicavam já um valor de 6,8%.

Depois de uma revisão das contas realizada pelo novo executivo, em funções desde maio, foi concluído que o défice poderá superar os 8,3% caso a Hungria continue sem acesso aos fundos europeus suspensos por Bruxelas devido a preocupações relacionadas com o Estado de Direito.

Magyar indicou que o Governo está a negociar com a Comissão Europeia um mecanismo para desbloquear cerca de 16 mil milhões de euros em financiamento comunitário.

Na semana passada, o Parlamento húngaro aprovou um pacote com mais de 30 alterações legislativas destinadas a responder às exigências da UE, nomeadamente no domínio do combate à corrupção, condição considerada essencial para a libertação das verbas.

Apesar dessas negociações, o primeiro-ministro húngaro admitiu que, mesmo com a recuperação dos fundos europeus, o défice orçamental deverá permanecer acima dos 7% este ano.

A imprensa húngara lembrou que, no final de abril, ainda durante o Governo de Orbán, o défice acumulado já representava 91,3% do objetivo fixado para todo o ano.