Teerão suspende negociações de paz com EUA

Lusa | 01 de Junho de 2026 às 18:12
Ormuz
Ormuz FOTO: AP
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Araghchi considerou que a violação do cessar-fogo "numa única frente constitui uma violação do cessar-fogo em todas as frentes".

O Irão suspendeu as negociações com os Estados Unidos destinadas a pôr fim à guerra devido às violações de cessar-fogo no Líbano, avançou hoje a agência de notícias iraniana Tasnim.

"A equipa de negociações iraniana suspende, assim, o diálogo e a troca de textos através dos mediadores", especifica o meio de comunicação iraniano, acrescentando que a decisão foi tomada devido aos crimes que Israel "continua a cometer" no Líbano e às violações "em todas as frentes" do cessar-fogo assinado a 8 de abril.

A Tasnim afirmou que, enquanto não houver um fim das hostilidades no país árabe, "não haverá diálogo".

As autoridades iranianas têm insistido que o cessar-fogo em vigor com os Estados Unidos inclui o Líbano, país que está a ser duramente atacado por Israel e onde, ainda hoje, o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, anunciou bombardeamentos contra Beirute.

"O cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos é, sem dúvida, um cessar-fogo em todas as frentes, incluindo o Líbano", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi.

Araghchi considerou que a violação do cessar-fogo "numa única frente constitui uma violação do cessar-fogo em todas as frentes".

O chefe da diplomacia iraniana afirmou ainda que "os Estados Unidos e Israel são responsáveis pelas consequências de qualquer violação".

Pouco antes, o presidente do Parlamento e negociador-chefe iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, advertiu que os Estados Unidos e Israel pagarão pelo que Teerão considera o incumprimento da trégua no país árabe.

"Toda a decisão tem um preço, e chega a hora de pagar a conta", escreveu na rede social X esta manhã.

Estas novas tensões surgem no meio das negociações entre os Estados Unidos e o Irão para pôr fim à guerra.

No final da semana passada, foi noticiado que Teerão e Washington tinham chegado a um acordo preliminar, que aguardava apenas a aprovação do Presidente norte-americano, Donald Trump, mas os meios de comunicação norte-americanos afirmaram posteriormente que o republicano solicitou a alteração de algumas disposições do rascunho.

No meio destas negociações, o Irão e os Estados Unidos voltaram a trocar ataques esta madrugada, com o bombardeamento norte-americano a Goruk e à ilha de Qeshm e a resposta iraniana contra a base de onde partiu o ataque.

Trump tinha reiterado hoje que conseguirá fechar um acordo benéfico para Washington com o Irão e criticou os democratas, mas também os "republicanos pouco patriotas", por alegadamente lhe dificultarem as negociações.

"O Irão quer realmente alcançar um acordo, e será um bom acordo para os Estados Unidos e para os que estão connosco", afirmou Trump numa mensagem nas redes sociais esta manhã.

Na mensagem divulgada hoje, Trump acusou a oposição e membros do próprio partido de oportunismo político, questionando as críticas constantes ao seu desempenho.

O conflito envolve uma parte significativa do Médio Oriente e causou milhares de mortos, sobretudo no Irão e no Líbano, país arrastado para a guerra pelos ataques do grupo xiita pró-iraniano Hezbollah contra Israel.