Trump pronto para restabelecer sanções ao petróleo russo

Lusa | 16 de Junho de 2026 às 19:57
Donald Trump
Donald Trump FOTO: AP
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Donald Trump anunciou também que se reuniu com Volodymyr Zelensky e que planeava voltar a encontrar-se com o homólogo ucraniano durante a reunião.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou esta terça-feira que está preparado para restabelecer as sanções às exportações de petróleo russo, no seguimento do acordo de paz preliminar com o Irão e a queda prevista dos preços de crude.

Após reunir-se com o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, durante a cimeira do G7 em França, Donald Trump indicou que as sanções poderão ser reintroduzidas "em breve", embora sem detalhes nem prazo.

"Poderemos fazê-lo porque o petróleo está a fluir agora", justificou o líder da Casa Branca, um dia depois do anúncio de um acordo preliminar com o Irão para pôr fim à guerra iniciada em 28 de fevereiro pela ofensiva israelo-americana contra a República Islâmica, que fez disparar os preços dos produtos petrolíferos.

O acordo preliminar prevê o reatamento do tráfego marítimo no estreito de Ormuz, por onde passava um quinto do petróleo e gás natural liquefeito mundiais antes de ser colocado sob ameaça militar de Teerão, bem como o levantamento do bloqueio marítimo dos Estados Unidos aos portos iranianos.

Procurando conter a escalada de preços, Washington levantou temporariamente as sanções ao comércio de petróleo russo, dentro das restrições impostas a Moscovo devido à invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Donald Trump, que participa até quarta-feira na cimeira das sete democracias mais ricas do mundo em Evian, França, anunciou também que se reuniu com Volodymyr Zelensky e que planeava voltar a encontrar-se com o homólogo ucraniano durante a reunião.

"A Rússia deveria chegar a um acordo. A Rússia perdeu um número fenomenal de pessoas, assim como a Ucrânia", declarou o Presidente dos Estados Unidos, à margem da cimeira e após uma reunião bilateral com o emir do Qatar.

Desde o regresso de Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, Washington tem promovido conversações de paz entre Moscovo e Kiev, mas sem resultados.

O líder norte-americano reconheceu que as atenções têm restado "focadas no Irão", mas indicou que pretende agora abordar a questão da Ucrânia, não por razões financeiras, mas devido ao custo humano.

"A única razão pela qual me estou a envolver é que não gosto de ver 25 mil jovens [russos] a morrer todos os meses", observou, referindo-se aos soldados que "estão a começar a viver, vão para a frente de batalha e são despedaçados", ao mesmo tempo que "a Ucrânia também está a perder muita gente" no conflito.

"Admitam que tudo isto é ridículo. Por isso, sim, vou fazer tudo o que puder", afirmou, acrescentando que os Estados Unidos estão a uma distância segura desta guerra, tanto a nível estratégico como geográfico.

"Não nos afeta em nada, exceto o facto de vendermos armas. Estamos a milhares de quilómetros de distância", declarou.

Os líderes dos países do G7 (Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos) realizaram na manhã desta terça-feira uma sessão de trabalho dedicada à guerra na Ucrânia, na presença de Volodymyr Zelensky, que chegou a Evian na segunda-feira.

Durante a cimeira, sinalizaram a intenção de intensificar a pressão sobre a Rússia através de sanções para pôr fim à guerra na Ucrânia.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou que o Reino Unido vai fornecer urânio enriquecido à Ucrânia para as suas centrais nucleares e impor novas sanções à Rússia.

O chefe do Governo canadiano fez o mesmo, com sanções dirigidas à frota de petroleiros clandestinos da Rússia, às suas receitas energéticas, à sua indústria de defesa e aos agentes de desinformação.

As negociações de paz entre Rússia e Ucrânia estão paralisadas há mais de três meses, desde o início do conflito no Médio Oriente.

As partes estão afastadas pelas questões essenciais relacionada com o futuro das regiões ocupadas pela Rússia na Ucrânia e garantias de segurança a Kiev para prevenir uma nova agressão de Moscovo.