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O ex-ministro do Ambiente e Ação Climática considera que o executivo desperdiçou a oportunidade de fazer uma reforma simples e alinhada com as organizações internacionais, acabando por abrir caminho às exigências crescentes do Chega.
Esta terça-feira no NOW, Duarte Cordeiro foi crítico da forma como o Governo conduziu a proposta da Prestação Social Única, uma reforma originalmente introduzida no PRR pelo governo de António Costa, com o objetivo de simplificar um conjunto de prestações sociais e melhorar o combate à pobreza, em linha com as recomendações da OCDE.
Na sua leitura, o executivo tinha nas mãos uma reforma "simples, rápida e consensual" e optou por complicá-la. Ao introduzir o trabalho social obrigatório, ao aumentar as restrições no acesso através da condição de recursos, ao criar um canal de denúncias e ao não fixar o valor do apoio, o executivo gerou um estigma social em torno do tema e colocou-se, nas suas palavras, "na terra de ninguém".
O resultado foi previsível: o que era consensual deixou de o ser e o Chega, em vez de apoiar, aproveitou para ir mais longe nas exigências, nomeadamente ao impor cinco anos de descontos aos imigrantes como condição de acesso. "Copiar o original nunca dá bom resultado", ironizou Cordeiro, lembrando que o mesmo já tinha acontecido com a reforma laboral.
Para o antigo ministro, a responsabilidade é da ministra: "Decidiu, uma vez mais, colocar-se numa posição ideológica desnecessária", perdendo a oportunidade de concretizar uma reforma útil e necessária.