Subida de preços na Europa pode ir além dos combustíveis, diz Fernando Medina

| 02 de Junho de 2026 às 23:55
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Guerra e Paz

O antigo ministro das Finanças explicou como a subida de preços numa categoria — energia, combustíveis ou fertilizantes — se vai transmitindo progressivamente a toda a economia, com efeitos que chegam aos salários e às pensões com desfasamento.

Fernando Medina recordou esta terça-feira, que a crise inflacionista de 2021 e 2022 apanhou muitos economistas e comentadores desprevenidos, depois de largos anos sem inflação significativa.

Na sua análise no NOW, afirmou que o fenómeno funciona como uma mancha de óleo: começa numa categoria de preços, neste caso a energia, e vai-se alargando progressivamente ao longo de todas as cadeias produtivas.

Combustíveis mais caros encarecem os transportes, a agricultura e as indústrias com maior consumo energético, e essa pressão vai-se depois refletindo nos preços dos mais variados bens e serviços. Quando a subida de preços se torna transversal, entra em jogo a dinâmica salarial.

Medina distinguiu dois modelos de resposta: países como o Luxemburgo, onde os salários sobem automaticamente com a inflação, e países como Portugal, onde os ajustamentos são diferidos.

Em Portugal, as pensões sobem tendo por referência a inflação do ano anterior, o que significa que, no ano em que a inflação ocorre, o poder de compra não é protegido de imediato, sendo os efeitos sentidos apenas no ano seguinte.