Candidatos presidenciais recorrem a empréstimos pessoais e apoios privados antes da formalização oficial da candidatura

Constança Santos | 26 de Novembro de 2025 às 16:03
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Presidenciais

A prática é, contudo, ilegal. Até ao momento, nenhum dos visados apresentou documentação detalhada sobre a origem dos fundos ou a forma como estão a ser gastos.

Há candidatos presidenciais que estão a recolher fundos fora do quadro exigido para campanhas eleitorais, avança esta quarta-feira a revista Sábado.

Luís Marques Mendes e Henrique Gouveia e Melo pediram um empréstimo pessoal e contam também com donativos para o financiamento da corrida à Presidência da República.

António Seguro conta com o apoio de empresas e donativos e André Ventura conta com o apoio do Chega e também doações.

Segundo a lei, qualquer verba destinada a atividades de campanha deve ser canalizada para contas bancárias específicas e exclusivamente criadas para esse fim.

Contudo, nenhum dos protagonistas revelou até agora a origem detalhada dos donativos, nem a forma como são aplicados.

Os candidatos a Belém não aceitam divulgar, nesta fase, quem está a custear as viagens pelo País e até as viagens ao estrangeiro. Ainda assim, há ajudas que não passam despercebidas.

O Almirante Gouveia e Melo conta com o apoio do dono da "TVI" e "CNN Portugal", Mário Ferreira. Já Seguro não ficou de mãos a abanar. O candidato às presidenciais conta com o apoio do dono da empresa de congelação Gelpeixe.

A antiga presidente da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) reforça que qualquer recolha de fundos antes da abertura oficial da conta de campanha constitui uma infração.

Os especialistas sublinham que a falta de transparência prejudica a confiança pública e cria desigualdades no processo eleitoral.

Segundo estimativas indicadas no artigo da revista Sábado, os eventos de angariação podem facilmente ultrapassar dezenas de milhares de euros.

A ECFP aponta recorrentemente irregularidades no financiamento das campanhas presidenciais.

As perguntas foram feitas, mas muitas ficaram sem resposta. Nenhum dos visados apresentou documentação detalhada sobre a origem dos fundos ou a forma como estão a ser gastos, até ao momento.