Depois de dez anos afastado da vida política, António José Seguro conquista primeira volta das presidenciais
Fez da moderação o segredo da sua campanha para chegar à segunda volta.
António José Martins Seguro nasceu dia 11 de março de 1962, em Penamacor. É licenciado em Relações Internacionais, pela Universidade Autónoma de Lisboa e mestre em Ciência Política, pelo ISCTE. É casado com a farmacêutica Margarida Maldonado Freitas, com quem tem dois filhos.
A história de amor começou numa discoteca, como o próprio contou, onde subiu para cima de uma coluna a dançar, revelando um lado pouco conhecido do candidato, que é para o público um homem recatado.
Foi líder da Juventude Socialista entre 1990 e 1994. Começou a aproximar-se do poder quando, no início de 1992, António Guterres bateu Jorge Sampaio na corrida ao lugar de secretário-geral do PS.
A partir daí a ascensão foi rápida. Com a vitória do PS nas legislativas de outubro de 1995, Seguro assumiu as funções de Secretário de Estado da Juventude, cargo do qual sairia para se candidatar no segundo lugar da lista dos socialistas às europeias de 1999, atrás do cabeça de lista Mário Soares.
Em 2001, regressou do Parlamento Europeu. Durante a governação de Sócrates, Seguro esteve sempre na segunda linha. "Qual é a pressa?", respondeu aos jornalistas em janeiro de 2013 sobre quando é que a sua direção tencionava propor uma data para a realização do congresso do PS.
Depois de ocupar vários cargos públicos, como membro do Governo, deputado e eurodeputado, Seguro afastou-se da vida política depois da demissão de secretário-geral do PS, em setembro de 2014. Isto aconteceu após a derrota das eleições primárias contra António Costa.
Remeteu-se à condição de "militante" depois de deixar a liderança do PS. Dedicou-se às aulas na universidade e aos seus negócios. Manteve o silêncio durante dez anos.
Regressou aos palcos eleitorais e políticos quando
decidiu avançar para as eleições presidenciais sem esperar pelo apoio do PS, partido que liderou. Apresentou a sua candidatura dia 15 de junho, apartidária e aberta a todos os democratas.
Quatro meses depois, o PS avançou para o apoio formal a esta corrida a Belém. Seguro apelou ao centro e assumiu-se como o candidato da moderação, do consenso e dos compromissos.