No conjunto de medidas adotadas após o apagão, a ministra recordou que o Governo anunciou, em 28 de junho, “31 medidas”, entre as quais um investimento de 137 milhões de euros para “melhorar a operação e controle da capacidade de rede elétrica”.
A ministra do Ambiente e Energia disse esta quarta-feira que estão “em cima da mesa” “cerca de quatro mil milhões de euros para a rede”, entre investimento em distribuição, transmissão e reforços extraordinários após o apagão.
Na audição na Comissão de Ambiente e Energia, no âmbito do grupo de trabalho sobre o apagão de 28 de abril de 2025, Maria da Graça Carvalho afirmou que esse montante corresponde ao esforço que o Governo pretende autorizar para reforçar a resiliência do sistema elétrico nacional e tornar menos provável uma nova falha de grande dimensão.
“Nós vamos autorizar, o que está em cima da mesa, mas ainda não é decisão final, cerca de quatro mil milhões de euros para a rede, tanto transmissão como distribuição”, adiantou.
Segundo detalhou, desse total, 3040 milhões de euros dizem respeito à distribuição, 497 milhões a projetos base na rede de transporte, 775 milhões a projetos complementares e 133 milhões a uma aprovação extraordinária já autorizada.
A ministra enquadrou este esforço financeiro na resposta ao apagão, defendendo que o objetivo é reforçar a robustez do sistema elétrico e acelerar a capacidade de recuperação em caso de nova falha.
A governante acrescentou que, se um novo incidente voltar a acontecer, a prioridade é garantir uma recuperação mais rápida do sistema e maior autonomia das infraestruturas críticas, apontando para o reforço dos blackstarts e para a realização de mais testes.
Na mesma audição, sustentou que “nenhum país está preparado” para eliminar totalmente o risco de um evento desta natureza, defendendo, no entanto, que é possível reduzir a probabilidade e melhorar a resposta operacional.
“Como vimos o que aconteceu nos Estados Unidos ou na Itália, [um país] pode estar melhor preparado, mas nenhum está completamente preparado”, afirmou.
No conjunto de medidas adotadas após o apagão, a ministra recordou que o Governo anunciou, em 28 de junho, “31 medidas”, entre as quais um investimento de 137 milhões de euros para “melhorar a operação e controle da capacidade de rede elétrica”.
Outra das linhas de atuação passa pelo armazenamento com baterias. Segundo a governante, o concurso atualmente em curso foi prolongado depois de um reforço de verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), passando o montante total disponível a 180 milhões de euros.
“Nós temos neste momento, do PRR, 180 milhões de euros para baterias”, disse, acrescentando que o concurso está aberto até 23 de abril.
A ministra referiu ainda que o Governo prevê destinar 25 milhões de euros, financiados pelo programa Sustentável 2030, a projetos-piloto com baterias e energias renováveis para autoconsumo em infraestruturas críticas, como unidades de saúde, lares, bombeiros e outros serviços essenciais.
Além disso, explicou que foi decidido manter quatro centrais com capacidade de blackstart, arranque autónomo de centrais sem apoio externo da rede, em vez de apenas duas, como estava inicialmente previsto no processo conduzido pela REN.
Segundo explicou, antes do apagão a REN já tinha lançado um concurso para substituir os dois blackstarts existentes por dois novos. Mas, após o incidente, o Governo decidiu manter as quatro infraestruturas em simultâneo. Além da Tapada do Outeiro e de Castelo de Bode, houve o reforço com Baixo Sabor e Alqueva.
A governante defendeu que o reforço dos blackstarts, a expansão do armazenamento e o investimento em rede devem ser vistos como um seguro de resiliência, mas admitiu que todas estas opções têm impacto económico e tarifário.
Maria da Graça Carvalho sublinhou ainda que uma das prioridades é garantir maior autonomia às infraestruturas críticas durante futuros incidentes, nomeadamente hospitais, centros de saúde, lares, bombeiros e estruturas de socorro e emergência.