PSD pede PS com “vontade própria” e Chega sem linhas vermelhas nas leis laborais

| 07 de Maio de 2026 às 19:42
Hugo Soares
Hugo Soares FOTO: LUSA_EPA

Com ironia, Hugo Soares observou que, “pelos vistos, não parece que o PS tenha vontade própria nas negociações” sobre leis do trabalho.

O PSD afirma que negociará no parlamento sem parceiros preferenciais a futura proposta do Governo de revisão das leis laborais, pedindo ao PS que demonstre vontade própria face à UGT e ao Chega que levante linhas vermelhas.

Esta posição foi transmitida pelo líder parlamentar social-democrata, Hugo Soares, em conferência de imprensa, após não ter sido alcançado um acordo entre os parceiros sociais e o Governo para a revisão das leis do trabalho.

Interrogado se a proposta do Governo que dará em breve entrada no parlamento será idêntica àquela que esteve a ser negociada em sede de concertação social, Hugo Soares remeteu essa questão para o Conselho de Ministros.

Em contrapartida, prometeu que a bancada do PSD irá fazer um esforço de diálogo, “sem parceiros preferenciais à esquerda ou à sua direita”, quando a futura proposta de lei do Governo chegar ao parlamento, tendo em vista a obtenção do maior consenso possível.

A seguir, deixou uma advertência à bancada socialista: “O facto de o PS dizer que está indisponível para o diálogo, porque não há acordo com a UGT, demonstra bem a forma instrumentalizada como a UGT está pelo PS”.

Com ironia, Hugo Soares observou que, “pelos vistos, não parece que o PS tenha vontade própria nas negociações” sobre leis do trabalho.

Neste contexto, referiu-se à atuação do PS quando foram introduzidas as últimas alterações na legislação laboral, durante o último executivo socialista liderado por António Costa.

“Nessa altura, na concertação social, também não houve acordo. O PS veio para o parlamento e, com a sua maioria absoluta, aprovou uma agenda de alterações ao Código Laboral”, apontou.

Por isso, de acordo com o presidente da bancada do PSD, “não deixa de ser curioso que na altura, para o PS, a UGT não tinha importância, e agora a UGT, pelos vistos, tem a importância toda para o PS”.

“O PS, aparentemente, não tem pensamento próprio nesta matéria. Lamento profundamente”, completou.

Em relação à exigência do Chega de fazer depender a negociação de uma medida que baixe a idade da reforma, Hugo Soares referiu que o PSD fará uma negociação com “abertura e capacidade de diálogo”.

Mas considerou um mau princípio quem inicia negociações com linhas vermelhas.

“As linhas vermelhas não devem sequer existir”, acentuou.

Hugo Soares realçou a ideia de que o PSD está disponível “para discutir tudo, sem tabus”.

“Efetivamente, não temos parceiros privilegiados nem preferenciais, conversamos com todos os parceiros que têm representação parlamentar da esquerda à direita. Por isso, vamos manter essa postura de procurar ainda chamar o PS à razão e de conversar e dialogar com o Chega, que tem mostrado essa abertura”.

E acrescentou: “Evidentemente, não deixando de fora designadamente a Iniciativa Liberal que parece querer acompanhar esta reforma”.