Interrogado se falou esta quinta-feira sobre o tema da autonomia europeia em matéria de defesa com o presidente do Conselho Europeu e anterior primeiro-ministro, António Costa, em Florença, o Presidente da República não quis "desvendar em pormenor" a conversa que os dois tiveram durante a cerimónia comemorativa do 50.º aniversário do Instituto Universitário Europeu.
O Presidente da República insistiu esta quinta-feira na necessidade de autonomia estratégica da União Europeia em matéria de defesa e na opção por "comprar europeu", mantendo os Estados Unidos da América como aliados, mas sem uma "lógica de subjugação".
"Uma das áreas onde precisamos de ganhar autonomia estratégica é na área da defesa. Nós não podemos ficar dependentes de países terceiros, neste caso, concretamente, os Estados Unidos [da América], para defender o nosso território e as pessoas", declarou António José Seguro aos jornalistas, em Roma, no fim de um encontro com o Presidente de Itália, Sergio Mattarella.
Logo a seguir, acrescentou: "Essa autonomia estratégica não significa que tenhamos de cortar nenhuma aliança, bem pelo contrário, nós devemos reforçar as alianças, mas devemos fazê-la numa lógica de cooperação entre aliados, e não numa lógica de subjugação. Aliados, cooperação, diálogo é importante, mas a Europa tem de fazer por si".
Segundo o Presidente da República e comandante supremo das Forças Armadas, a União Europeia deve optar por "comprar europeu, comprar melhor, ter economias de escala do ponto de vista da defesa", com "meios que sejam complementares" entre os 27 Estados-membros.
"Nós precisamos, no fundo, de ter um pilar europeu da nossa defesa que seja capaz de ter uma escala maior. Cada exército não precisa de ter o seu carro de combate, o seu submarino, o seu helicóptero, e mesmo em termos de operação em teatros, digamos, de guerra – que espero que não venham a acontecer – nós temos a ganhar em ter meios que sejam complementares", argumentou.
Questionado se há alguma diferença de pensamento em relação ao Governo nesta matéria, incluindo quanto à possibilidade de Portugal vir a comprar caças norte-americanos, António José Seguro respondeu: "Não se trata de nenhuma diferença de pensamento. O Governo português, que é quem conduz a política de defesa, está a desenvolver as diligências que considera adequadas para a defesa do interesse nacional".
Interrogado se falou esta quinta-feira sobre o tema da autonomia europeia em matéria de defesa com o presidente do Conselho Europeu e anterior primeiro-ministro, António Costa, em Florença, o Presidente da República não quis "desvendar em pormenor" a conversa que os dois tiveram durante a cerimónia comemorativa do 50.º aniversário do Instituto Universitário Europeu.
"Mas, naturalmente, foi sobre as questões europeias, e as questões que dizem também mais diretamente respeito a Portugal, mas sobretudo questões que têm a ver com o futuro da União Europeia", adiantou.
Instado a avaliar o início de pontificado do Papa Leão XIV, António José Seguro considerou que "o Papa tem tido uma ação e sobretudo uma palavra no sentido da defesa da paz, do diálogo, do fim do sofrimento", com "a palavra certa nos momentos certos".
Sem comentar diretamente a atuação do Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, em relação à Europa, António José Seguro declarou-se um defensor do diálogo e da diplomacia e considerou que "neste momento o problema maior está no Estreito de Ormuz".
"Nós precisamos que, de facto, se circule livremente em todas as partes do mundo e também naquele estreito, porque isso traduz-se em diminuição dos preços dos combustíveis, da nossa energia, dos nossos alimentos. Há pessoas a passar muitas dificuldades, e as guerras não são solução, as guerras verdadeiramente só acrescentam problemas aos problemas que já existem", afirmou.
O chefe de Estado defendeu que "todos os democratas neste momento", de todos os campos políticos, têm o dever de se empenhar para se "recuperar o diálogo" e "voltar a resolver os conflitos que existem no mundo através da diplomacia", com respeito pelo direito internacional e pela Carta das Nações Unidas.