Advogado suspeito de ajudar regularizar ilegalmente milhares de imigrantes fica em prisão preventiva
Um esquema em que a investigação estima que até à data possa ter uma dívida acumulada ao Estado na ordem dos dez milhões de euros.
A investigação é da Policia Judiciária do Centro, que foi denominada de operação ‘Terra Milagrosa’ e começou em setembro de 2023, com a colaboração da Unidade de Fiscalização do Centro da Segurança Social.
Além do advogado, de 53 anos, que viu o Tribunal aplicar-lhe a medida de coacção mais gravosa, com a prisão preventiva, há também um empresário estrangeiro, de 56 anos, que teve de pagar uma caução de 60 mil euros e entregar o seu passaporte e ficou obrigado a apresentar-se três vezes por semana às autoridades.
Os dois suspeitos foram detidos na última semana em Oeiras e Odivelas, após meses de investigação que permitiu apurar o esquema, em que usaram números fiscais de empresas da região centro, já sem atividade ou falidas para a criação de falsos históricos.
Foi desta forma que conseguiram enganar mais de quatro mil estrangeiros, a quem subtraíram avultadas quantias monetárias para lhes facultar contrato de trabalho, através dos quais conseguiam atestados de residência, obter NIF e número de Segurança Social.
Um esquema em que a investigação estima que até à data possa ter uma dívida acumulada ao Estado na ordem dos dez milhões de euros.
As autoridades acreditam que os dois detidos serão os cabecilhas de um grupo criminoso organizado, que se dedicava ao auxílio à imigração ilegal, através da falsificação de documentos, falsidade informática, branqueamento de capitais e a detenção de arma proibida. O inquérito é titulado pelo DIAP Regional de Coimbra.