Angola quer cunhado do ministro Leitão Amaro como arguido por burla qualificada

Maria Peleira Gouveia | 04 de Fevereiro de 2026 às 14:29
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Angola quer cunhado do ministro Leitão Amaro como arguido por burla qualificada

O cunhado do ministro da Presidência amealhou 450 milhões de euros naquele País, avança a Sábado.

Já passaram 16 anos desde a primeira vez que Ricardo Leitão Machado foi constituído arguido por burla qualificada ao fundo florestal permanente.

Nas próximas semanas, o empresário deverá voltar a assinar um documento que lhe vai atribuir novamente essa qualidade. Desta vez, a pedido da Procuradoria-Geral de Angola, que investiga uma burla por valores bem superiores aos que estavam em causa no primeiro processo, de 300 mil euros, as suspeitas passaram para 1,1 mil milhões de euros.

Documentos a que a revista Sábado teve acesso revelam os contornos dos negócios e as suspeitas de falsificação no programa Photoshop.

Semanas antes de Ricardo Machado se dar a conhecer ao país, através de uma longa entrevista ao "Expresso", a caixa de correio da Procuradoria-Geral da República recebia duas cartas rogatórias da procuradoria angolana.

A iniciativa surpreendeu o Ministério Público português, que aguarda há vários anos por uma resposta a um pedido idêntico feito às autoridades angolanas. Tratava-se um processo por suspeitas de branqueamento de capitais que está a ser investigado em Portugal.

Ricardo Leitão Machado construiu uma fortuna avaliada em centenas de milhões de euros em Angola. Criou a Aenergy, empresa que celebrou contratos milionários com o Estado angolano nas áreas da ferrovia e da energia.

Esses negócios envolveram a General Electric, figuras próximas da família presidencial angolana e deram origem a suspeitas de irregularidades. Um tribunal norte-americano deu como provado o seu envolvimento em corrupção de dois quadros da gigante General Eletric. O Millenium BCP deixou-lhe fugir cinco milhões de euros.

Paralelamente, Ricardo Leitão Machado investiu em imobiliário, turismo, agricultura, cavalos e aviação, em Portugal e Espanha, envolvendo sociedades geridas por colaboradores próximos.