Capitão da GNR acusado de traficar droga
A droga entrava pelo Porto de Leixões, em Matosinhos.
Em 2023, Ricardo Portal foi condecorado por desmantelar uma rede de tráfico de droga. Mas, diz o Ministério Público, que já nessa altura o capitão da GNR se dedicava à prática dos mesmos crimes. Pelo menos desde junho de 2022 que tratava de toda a logística para que elevadas quantidades de droga fossem retiradas do Porto de Leixões, em Matosinhos, e levadas para um armazém em Fafe.
Foi apanhado em agosto do ano passado com 1,3 toneladas de cocaína, que vinham escondidas em contentores de peles de animais. No esquema criminoso, o militar contava com a ajuda a mulher a do irmão. Só Ricardo e a mulher lucraram mais de 1,2 milhões com os crimes. Já o irmão arrecadou 150 mil euros. É isto que sustenta a acusação agora deduzida, que imputa aos três arguidos crimes de tráfico de droga, associação criminosa e branqueamento de capitais.
A investigação apurou que a vida do casal tinha luxos e não era de todo compatível com os rendimentos dos mesmos. Para além das elevadas quantias de dinheiro que passavam nas suas contas, o militar tinha ainda duas motas avaliadas em mais de 30 mil euros. Tinha ainda imóveis, alguns com a mulher, um deles em Vila Real que foi depois vendido por 450 mil euros. Nas buscas foram apreendidos artigos de luxo como relógios, carteiras, canetas e diverso material informático.
O Ministério Público do Porto refere que Ricardo Portal, que chegou a ser comandante da GNR de Fafe, e os cúmplices faziam parte de uma rede de tráfico internacional. Os contentores de peles de animais traziam droga escondida desde a República Dominicana. Ricardo, de 35 anos, e a mulher, de 38, chegaram mesmo a criar uma empresa para ocultarem os crimes. Falavam apenas através da aplicação "Signal" e tinham muitos cuidados.
Ricardo e o irmão foram levantar os contentores e foram apanhados. O militar estava já com uma licença sem vencimento há um ano. Ficou em prisão preventiva, tal como irmão.