Hospital de Penafiel condenado pela morte de jovem que foi dez vezes à urgência sem ter diagnostico de um tumor cerebral
A unidade hospitalar terá de pagar uma indemnização de mais de 100 mil euros à família da vítima. Contudo, vai recorrer da decisão.
Quase 13 anos depois da morte de Sara Moreira, o tribunal imputou agora responsabilidades aos médicos. Segundo o "Jornal de Notícias", a falta de articulação dos serviços hospitalares e a ausência de exames complementares de diagnóstico foram algumas das justificações apresentadas pelo Tribunal Administrativo Fiscal que deu como provado, em novembro passado, que os médicos do Hospital Padre Américo tiveram responsabilidades pela morte da jovem que não resistiu a um tumor cerebral não diagnosticado.
Entre 19 de fevereiro de 2010 e 8 de janeiro de 2013, Sara Moreira foi dez vezes à urgência do Hospital Padre Américo. Queixava-se sempre de dores de cabeça, vomitava e dizia que estava muito nervosa. Mesmo apresentado todos estes sintomas, os médicos que a observaram fizeram sempre o mesmo diagnóstico: crise de ansiedade. Prescreveram, assim, os mesmos medicamentos: diazepam e paracetamol.
Aliás, a jovem chegou mesmo a ter agendadas consultas de psiquiatria, mas não existe nos autos prova que foi convocada para as mesmas.
Dois dias depois de mais uma ida ao hospital, Sara Moreira, de 19 anos, morreu em casa e a autopsia viria a revelar as causas de todos estes sintomas dolorosos: um tumor cerebral nunca diagnosticado.
A família pediu responsabilidades criminais, mas os cinco médicos, acusados do crime de violação das normas, seriam absolvidos.
A 18 de novembro de 2025 a sentença foi conhecida. O juiz Marco Moreira condenou o hospital a pagar cem mil euros aos pais da vítima, mais cinco mil ao irmão com deficiência.
No entanto, a condenação não significa que a família de Sara Moreira seja ressarcida de imediato. Na passada segunda-feira, o hospital de Penafiel recorreu da decisão e o processo transitou para o Tribunal Central Administrativo do Norte, cuja decisão deverá demorar vários anos.
A unidade hospitalar refere que tudo fez para acompanhar devidamente a jovem e deixa claro que os médicos que observaram Sara Moreira ainda estão a trabalhar com a instituição.