Jogadores ilegais culpam dirigente que já morreu
Foram instaurados processos por falsas declarações.
A segunda sessão do julgamento que leva novamente Vítor ‘Catão’ a tribunal ficou marcada pelas contradições de testemunhas. Dois futebolistas ouvidos relataram versões diferentes das que apresentaram na investigação. Tratam-se de dois dos 11 atletas que vieram ilegais do Brasil para Portugal para jogarem no São Pedro da Cova, um clube de Gondomar.
Em 2022, os futebolistas imputaram responsabilidades a ‘Catão’, que era o diretor desportivo, e ao treinador Armando Santos. Agora, dizem que afinal a culpa foi de Orlando Rocha, o presidente do clube, que já morreu.
A procuradora confrontou várias vezes as testemunhas com as mudanças de versão e também a juíza chegou a questionar um dos atletas sobre a possibilidade de estar a proteger alguém. Os futebolistas continuaram a culpar o ex-dirigente e saíram do tribunal com processos-crime por falsas declarações. Nos depoimentos, os atletas disseram ainda que as condições do local onde dormiam eram boas e que até tinham videojogos.
Nesta sessão foi ainda ouvido um antigo inspetor do SEF, que relatou que chegaram a fazer uma inspeção ao estádio. Visitaram o espaço situado debaixo da bancada, onde os jogadores dormiam em beliches.
Os factos remontam à época 2018/2019 e diz o Ministério Público que Vítor ‘Catão’ e Armando Santos trouxeram 11 jogadores ilegais do Brasil para jogarem no São Pedro da Cova. Pouco ganhavam e dormiam debaixo da bancada do estádio. Os dois arguidos assumiram na primeira sessão que os futebolistas apenas recebiam pequenas quantias para carregarem o telemóvel, cortarem o cabelo ou comprarem iogurtes.
'Catão', conhecido adepto portista, foi já julgado na operação ‘Pretoriano’ e condenado a três anos e três meses de pena suspensa.