Pescador contratado pelo IPMA acusado de falsificação de documentos
Enquanto trabalhava para o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, entregou amostras falsificadas que puseram em risco quase 350 vidas por toda a Europa.
Foi entre 2022 e 2025 que Jaime Oliveira, pescador de Alcochete de 63 anos, foi contratado pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) para colher do Estuário do Tejo amostras de amêijoa-japonesa.
Era através da análise microbiológica destas amostras que o IPMA tomava a decisão de permitir ou proibir a apanha dos bivalves nesta zona. O pescador, no entanto, não cumpriu com os termos do contrato.
Em vez disso, enganou várias vezes o IPMA, ao entregar amêijoa de outras origens e ao alegar que eram do Estuário do Tejo.
Segundo avança o "Jornal de Notícias", Jaime Oliveira chegava mesmo a informar o IPMA da hora da recolha, temperatura da água e respetiva profundidade, sendo estas, na verdade, informações falsas.
Jaime Oliveira acabou tramado numa investigação do Ministério Público. Um inquérito por auxilio à imigração ilegal aberto em 2019 mudou de rumo para apurar a razão pela qual a apanha de amêijoa era proibida numas zonas do rio e autorizada noutras.
A investigação acabou por determinar que o pescador adulterava as amostras. O pescador tinha ainda um negócio de exportação de amêijoa para Espanha.
De acordo com o Ministério Público, o consumo de amêijoas do Tejo, contaminadas com as bactérias salmonela e E.coli, levou ao internamento hospitalar de 348 pessoas em Portugal, na Alemanha, Suécia, Irlanda e Grécia.
Jaime Oliveira foi acusado de um crime continuado de falsificação de documentos.