PJ detém 13 pessoas por envolvimento num esquema de viciação de contratos públicos que envolve empresa Águas de Gaia

| 26 de Maio de 2026 às 18:17
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PJ detém 13 pessoas por envolvimento num esquema de viciação de contratos públicos que envolve empresa Águas de Gaia

Foram também usados 54 mil euros em almoços e jantares, sendo que só num restaurante em Matosinhos foram gastos dez mil euros.

Pagava almoços e jantares na ordem dos milhares de euros, oferecia viagens a Marrocos e Itália e chegou até a corromper um funcionário das Águas de Gaia com um frigorífico avaliado em cerca de 400 euros.

António Santos Mota, empreiteiro, é um dos 13 detidos na megaoperação da Polícia Judiciária (PJ) levada a cabo esta terça-feira. Em causa está um esquema de viciação de contratos públicos celebrados sempre com a mesma empresa, em troca de contrapartidas financeiras.

A PJ avançou para o terreno durante a manhã desta terça-feira, acompanhada pelo juiz Pedro Miguel Vieira, com o objetivo de recolher provas dos crimes económicos praticados desde 2024.

Para além de António Santos Mota, também a diretora da empresa Águas de Gaia, Eunice Fonseca, um ex-diretor e cinco funcionários da empresa gaiense foram detidos.

A investigação, que durava há 17 meses, apurou que o empreiteiro fez levantamentos no valor de 45 mil euros, entre 2024 e 2025. Dinheiro que servia como luvas para corromper os funcionários.

Foram também usados 54 mil euros em almoços e jantares, sendo que só num restaurante em Matosinhos foram gastos dez mil euros.

Os inspetores da PJ detetaram ainda que, no ano passado, António Santos Mota ofereceu garrafas de uísque e outras bebidas alcoólicas avaliadas em mais de 6900 euros.

Foi o empreiteiro que fez obras na casa da diretora da Águas de Gaia e também na habitação dos sogros de um funcionário. Mandou pintar paredes, colocar tijoleira e vedar um galinheiro.

Contrapartidas que levaram até ao pagamento de uma consulta médica e de uma mala à mulher de um colaborador da empresa gaiense.

Nas redes sociais, Luis Filipe Menezes, presidente do município, reagiu às buscas. Também Eduardo Vitor Rodrigues, antigo autarca, negou ter conhecimento do esquema visado.

Em cima da mesa estão crimes de corrupção, abuso de poder e branqueamento, num valor global de oito milhões de euros.

Os detidos vão ser presentes a juiz esta quarta-feira para a aplicação das medidas de coação.