Tráfico de droga e cibercriminalidade são os crimes mais frequentes nos Açores, diz PJ

Lusa | 13 de Maio de 2026 às 17:43
Polícia Judiciária (PJ)
Polícia Judiciária (PJ) FOTO: Sérgio Lemos

“Tem sido um ano com muitas apreensões de heroína. Ela tem ressurgido na região de forma bastante significativa, não só em São Miguel, mas também na ilha Terceira”, sublinhou Renato Furtado, destacando que a Judiciária “mais do que duplicou” o número de apreensões em comparação com todo o ano de 2025.

O tráfico de drogas e a cibercriminalidade são os crimes que ocorrem com maior frequência nos Açores e que mais preocupam a Polícia Judiciária (PJ), instituição que quase duplicou o seu número de efetivos nas ilhas.

“Nunca se apreendeu tanta cocaína em Portugal e na Europa, como se tem apanhado nos últimos anos, e a região dos Açores nunca teve resultados, em termos de apreensões, como se tem visto ultimamente”, realçou Renato Furtado, coordenador da PJ nos Açores, durante uma audição, em Ponta delgada, no Grupo de Trabalho criado pelo parlamento açoriano para avaliar as condições de segurança no arquipélago.

Segundo explicou, além da cocaína que chega à região, maioritariamente através de embarcações de recreio que atravessam o Atlântico rumo à Europa, a PJ tem conseguido desmantelar redes que se dedicam ao tráfico de heroína, substância que tem voltado a aparecer nos Açores em maior quantidade.

“Tem sido um ano com muitas apreensões de heroína. Ela tem ressurgido na região de forma bastante significativa, não só em São Miguel, mas também na ilha Terceira”, sublinhou Renato Furtado, destacando que a Judiciária “mais do que duplicou” o número de apreensões em comparação com todo o ano de 2025.

O coordenador da PJ nas ilhas falou também na existência de pequenas redes de tráfico de drogas que operam entre Lisboa e os Açores, que têm vindo a ser desmanteladas pela Judiciária, mas admitiu que esse combate tem sido difícil.

“São pequenas estruturas. Não falo de organizações criminosas, mas que têm alguma articulação, com um número mais ou menos significativo de pessoas que operam entre Lisboa e os Açores”, referiu Renato Furtado, acrescentando que, “quando se desmantela uma rede e se deixa um vazio, a procura pelos lucros faz com que, rapidamente, surja outra rede que ocupa aquele espaço”.

A Polícia Judiciária, que quase duplicou o número de efetivos nos Açores, por via da integração dos ex-funcionários dos Serviços de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), está também preocupada com o crescente número de casos de cibercriminalidade, que surgem na região cada vez com maior frequência.

“São situações que surgem através de interações pelos telemóveis, pelas redes sociais, enganando as pessoas, em compras e numa série de situações, que são conhecidas, visando o património. Aí há um aumento óbvio, associado à cibercriminalidade, e não podemos escamotear isso”, destacou o coordenador da PJ, lembrando que o trabalho da Judiciária tem sido o de identificar os autores deste tipo de crimes, mas também o de prevenir situações semelhantes no futuro.

Renato Furtado disse ainda aos deputados que não há, nos Açores, casos preocupantes de “crimes graves e violentos”, embora admita que os cidadãos possam ter uma “perceção” de que há maior insegurança, por via da "repetição" que os poucos casos que ocorrem, acabam por ter, por exemplo, nas redes sociais: "dois homicídios consumados, por ano, numa região como esta, não é uma quantidade alarmante, embora um homicídio seja sempre uma perda de uma vida” que tem de ser lamentada “profundamente”.

O Grupo de Trabalho criado pela Assembleia Legislativa dos Açores, por iniciativa do deputado único do Partido Popular Monárquico (PPM), João Mendonça, pretende “avaliar a eficácia do atual modelo de segurança interna e propor melhorias efetivas e adequadas à realidade arquipelágica e autonómica”.

O parlamento açoriano é composto por 57 deputados em representação de oito forças políticas (PSD, PS, CH, CDS, IL, BE, PAN e PPM).