Um dos agentes acusados de tortura na esquadra do Rato encontrado na posse de munições irregulares durante buscas

| 19 de Janeiro de 2026 às 00:47
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Um dos agentes acusados de tortura na esquadra do Rato encontrado na posse de munições irregulares durante buscas

As balas encontradas não faziam parte dos lotes atribuídos aos agentes pela PSP.

Guilherme Leme já era acusado de crimes graves contra 13 detidos. Os dois agentes da PSP que prestavam serviço na esquadra do Largo do Rato, em Lisboa, foram acusados pelo Ministério Público (MP) por crimes de tortura, violação e ofensas à integridade física. Mas agora a lista de delitos aumenta.

Foram realizadas buscas à casa do suspeito no dia 10 de julho de 2025 no âmbito desse mesmo inquérito. O agente foi encontrado na posse de 12 munições de calibre nove milímetros que não foram distribuídas pela PSP.

O facto de não serem do mesmo lote das entregues pela polícia leva a que, caso sejam disparadas e os invólucros recolhidos, não possam ser rastreadas ate à PSP.

Fontes polícias confirmaram que essas munições poderiam ser usadas em crimes graves e seriam muito mais difíceis de rastrear.

O MP descreve como os agentes apontaram as pistolas de serviço à cabeça de muitas das 13 vítimas. Guilherme Leme teria também estas munições não rastreáveis no segundo carregador da glock, plenamente acessível e em uso preso ao cinturão onde levava o coldre da pistola, o porta carregadores e o bastão que usou para violar uma das vítimas.

O agente torturador confessou ao MP que adquiriu as munições a um colega, também agente da polícia. Durante as buscas à casa do suspeito, os investigadores encontraram mais 37 munições irregulares.

O MP reforça que as normas da PSP a pena permitem aos agentes o uso de munições rastreáveis, distribuídas pela própria instituição. Os dois suspeitos estão, assim, em prisão preventiva.