António José Seguro escolheu o professor universitário açoriano Miguel Monjardino, especialista em relações internacionais, nascido em Angra do Heroísmo, para presidir às comemorações.
O Presidente da República, António José Seguro, discursa esta quarta-feira pela primeira vez numa cerimónia militar comemorativa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, nos Açores.
António José Seguro escolheu o professor universitário açoriano Miguel Monjardino, especialista em relações internacionais, nascido em Angra do Heroísmo, para presidir às comemorações do 10 de Junho deste ano, as primeiras do seu mandato presidencial.
Na terça-feira, à chegada a Angra, questionado se escolheu comemorar o 10 de Junho na ilha Terceira também como forma de afirmação da soberania nacional, por causa da Base das Lajes, o Presidente da República respondeu que "todos os dias afirma a soberania de Portugal", seja nos Açores ou "em qualquer canto" do país.
Questionado sobre a utilização da Base das Lajes no atual contexto de guerra contra o Irão e sobre uma eventual revisão do acordo de cooperação e defesa entre Portugal e os Estados Unidos da América -- que defendeu em janeiro, enquanto candidato presidencial --, António José Seguro não quis comentar, nesta altura, essas questões.
"Não é o momento para falarmos dessas situações. Este é um momento para celebrarmos Portugal, é um momento de união do nosso país", justificou o chefe de Estado e comandante supremo das Forças Armadas.
Sobre as relações com os Estados Unidos da América, referiu que as suas posições são conhecidas: "Eu sou um defensor da manutenção da NATO como organização de defesa e de segurança e considero que nós devemos ter boas relações com os Estados Unidos da América. Devemos aprofundar essas relações a todos os níveis, económico, comercial, de segurança".
O Presidente da República acrescentou que é também conhecida a sua posição a favor da "autonomia estratégica da Europa, designadamente também em matéria de segurança e defesa", e sustentou que "as duas dimensões são perfeitamente complementares".
António José Seguro salientou que se cumprem 50 anos da consagração constitucional da autonomia regional dos Açores e da Madeira e disse que a sua preocupação com a unidade nacional foi uma das razões que o levou a comemorar esta data na ilha Terceira.
Hoje, a cerimónia militar comemorativa do Dia de Portugal terá lugar no Cerrado do Bailão, em Angra do Heroísmo, com início às 10h15 locais (11h15 em Lisboa). Haverá honras militares e uma homenagem aos mortos em combate, antes das intervenções do presidente das comemorações, Miguel Monjardino, e do Presidente da República, e depois um desfile militar.
A seguir, o programa do chefe de Estado inclui um almoço com a população, no Porto Judeu, uma cerimónia de condecoração da Universidade dos Açores e o arriar da bandeira nacional, que encerra as comemorações do Dia de Portugal.
Na terça-feira, o Presidente da República teve um encontro com jovens que não estudam nem trabalham, na Praia da Vitória, sem comunicação social, e de noite assistiu a um concerto na Praça Velha e a um espetáculo de fogo de artifício na baía de Angra, e ainda se juntou momentaneamente a uma sessão de declamação de poesia num café-livraria, até perto da meia-noite.
Durante o concerto, em versos de cantorias ao desafio, António José Seguro foi descrito como "moderado nos desejos, porque está a substituir a presidência dos beijos", e ouviu que "para que um Presidente se destaque nesta nação portuguesa não pode ir muito ao ataque nem pode ir muito à defesa".
Na primeira fila da assistência estavam, além das autoridades regionais, o anterior Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, e o ministro da Defesa Nacional e presidente do CDS-PP, Nuno Melo, que se deslocaram aos Açores para o 10 de Junho.
Também vão estar hoje na cerimónia militar do Dia de Portugal o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.
Da lista de entidades presentes constam ainda, entre outros, o ministro da Presidência, o secretário-geral do PS, os líderes parlamentares do PSD, Chega, PS, CDS-PP e Livre, a porta-voz do PAN, o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas e os chefes dos três ramos militares, os presidentes do Tribunal Constitucional e do Supremo Tribunal Administrativo e o procurador-geral da República.
No fim de semana, antes das comemorações em território nacional, o Presidente da República celebrou o Dia de Portugal no estrangeiro, junto de emigrantes portugueses e lusodescendentes no Luxemburgo, onde esteve acompanhado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, no domingo.