40 políticos na lista de morte criada pelo grupo neonazi Movimento Armilar Lusitano
A acusação aos nove membros do Movimento Armilar Lusitano mostra uma perseguição a um total de 80 figuras públicas.
O Movimento Armilar Lusitano (MAL) fortaleceu durante seis anos a partir da troca de informações nas redes sociais e de mensagens em aplicações encriptadas, uma narrativa de ódio contra os políticos, e principalmente personalidades de esquerda. Foi nesse âmbito que criaram a "lista dos indesejáveis".
´Segundo a acusação, os cinco militantes que lideravam o grupo neonazi e que estão entre os nove acusados foram alimentando um documento com nomes de 40 políticos (onde constavam o ex-Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, e o atual primeiro-ministro, Luís Montenegro), e um total de 80 personalidades.
A preocupação em resguardar a informação sobre os alvos era, segundo a acusação, evidente. O MAL falava apenas sobre as personalidades (onde também se encontravam António Costa, Marques Mendes, Pinto Balsemão e Carlos Moedas), ao abrigo de aplicações encriptadas.
Toda a informação sobre os mesmos e as suas respetivas rotinas, era guardada. E a linguagem usada contra estas personalidades, e até associações e partidos políticos de esquerda, foi sempre de promessas de recurso à violência, até com ameaças de morte veladas.
No momento em que a operação 'Desarme 3D' foi realizada, em junho do ano passado, com a realização de detenções e apreensões de armas de fogo (algumas obtidas em impressões 3D, mas aptas a disparar), armas brancas, e milhares de munições, o Departamento Central de Investigação e Ação Penal não tinha ainda o filme completo de alguns planos do MAL.
Um deles foi o do ataque à casa de Luís Montenegro. O primeiro-ministro lamentou, esta sexta-feira, ter sabido dos planos violentos dos neonazis contra ele apenas pelas notícias.
No entanto, só muito tempo depois dos factos é que a Polícia Judiciária recebeu os relatórios das provas periciais pedidas às comunicações encriptadas dos arguidos, percebendo assim a intenção da realização deste, e de outros ataques de grande impacto público.