Guerra e Paz
Segundo o especialista, os chineses já assumiram que não vão fazer nada para contribuir para uma derrota da Rússia, pois “a sobrevivência do regime de Putin é essencial para manter esta parceria estratégica”.
O professor catedrático de Relações Internacionais Luís Tomé foi o convidado do programa Guerra e Paz desta segunda-feira que conta com Germano Almeida. O tema desta edição teve como questão de partida ‘O que se espera da viagem de Trump à Ásia?’
Questionado sobre se o Presidente chinês pode vir a ser um elemento importante para pressionar a Rússia para um cessar-fogo na Ucrânia,, o especialista começou por explicar que “a esperança de que Xi Jinping influencie decisivamente nesta fase é diminuta”.
“A esperança de que ele possa de alguma forma pressionar Putin para fazer concessões está fora de questão”, defendeu.
Segundo o especialista, os chineses já assumiram que não vão fazer nada para contribuir para uma derrota da Rússia, pois “a sobrevivência do regime de Putin é essencial para manter esta parceria estratégica”.
Ainda assim, Luís Tomé considerou que se a Pequim pressentir que é na China que se vai chegar a acordo, os chineses estarão dispostos a intervir, mas “vão fazê-lo sempre discretamente e no momento certo de mostrar isso ao mundo”.
“Se nós lembrarmos daquele sucesso diplomático quando foi a normalização das relações entre o Irão e a Arábia Saudita, ninguém soube nada até ao momento em que, em Pequim, Xi Jinping apresentou esse sucesso diplomático”, acrescentou.
No entanto, Luís Tomé concluiu que “não vale a pena ter esperança nem de que a China e a Rússia se afastem nem que a China pressione Putin para ceder”.