“A esperança de que XI Jinping possa de alguma forma pressionar Putin para fazer concessões está fora de questão”, diz Luís Tomé

Inês Simões Gonçalves | 28 de Outubro de 2025 às 00:29
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Guerra e Paz

Segundo o especialista, os chineses já assumiram que não vão fazer nada para contribuir para uma derrota da Rússia, pois “a sobrevivência do regime de Putin é essencial para manter esta parceria estratégica”.

O professor catedrático de Relações Internacionais Luís Tomé foi o convidado do programa Guerra e Paz desta segunda-feira que conta com Germano Almeida. O tema desta edição teve como questão de partida ‘O que se espera da viagem de Trump à Ásia?’ 

Questionado sobre se o Presidente chinês pode vir a ser um elemento importante para pressionar a Rússia para um cessar-fogo na Ucrânia,, o especialista começou por explicar que “a esperança de que Xi Jinping influencie decisivamente nesta fase é diminuta”. 

“A esperança de que ele possa de alguma forma pressionar Putin para fazer concessões está fora de questão”, defendeu. 

Segundo o especialista, os chineses já assumiram que não vão fazer nada para contribuir para uma derrota da Rússia, pois “a sobrevivência do regime de Putin é essencial para manter esta parceria estratégica”.  

Ainda assim, Luís Tomé considerou que se a Pequim pressentir que é na China que se vai chegar a acordo, os chineses estarão dispostos a intervir, mas “vão fazê-lo sempre discretamente e no momento certo de mostrar isso ao mundo”. 

“Se nós lembrarmos daquele sucesso diplomático quando foi a normalização das relações entre o Irão e a Arábia Saudita, ninguém soube nada até ao momento em que, em Pequim, Xi Jinping apresentou esse sucesso diplomático”, acrescentou. 

No entanto, Luís Tomé concluiu que “não vale a pena ter esperança nem de que a China e a Rússia se afastem nem que a China pressione Putin para ceder”.