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A jornalista considera que os confrontos com a polícia roubaram o protagonismo à paralisação e que a quebra histórica da sindicalização em Portugal ajuda a explicar o impacto limitado da greve.
Para Judite de Sousa, que marcou presença esta sexta-feira no Guerra e Paz com Germano Almeida, a greve geral não teve o impacto que os sindicalistas esperariam — e não apenas pela discussão em torno dos números de adesão, que nunca chegaram a ser definitivos.
O problema foi outro: os incidentes que envolveram a polícia e um grupo de manifestantes tornaram-se a notícia do dia, eclipsando o significado político da paralisação. "A notícia não foi a greve geral, foi os incidentes", afirmou.
A jornalista aponta ainda um dado estrutural que ajuda a contextualizar o alcance limitado da mobilização: o número de trabalhadores sindicalizados em Portugal atingiu o valor mais baixo de sempre.
Atualmente, apenas 7% dos trabalhadores portugueses estão sindicalizados — entre 350 a 400 mil pessoas, num universo de cinco milhões de empregados. Uma realidade que, no entender de Judite de Sousa, contribui para explicar por que razão o impacto da greve ficou aquém do desejado pelos seus promotores.