A PJ detém dez suspeitos de pertencer a rede liderada por Paulo Topa que desviou milhões de euros com falências fraudulentas
Em causa estão crimes de associação criminosa, corrupção e branqueamento de capitais.
Os crimes terão sido cometidos entre 2023 e 2025. A rede liderada pelo advogado Paulo Topa é suspeita de desviar milhões de euros através de um esquema de falências fraudulentas.
A Polícia Judiciária investigava já o caso ligado a processos de insolvência e avançou agora com a operação Cinderela. Com 80 inspetores e uma equipa da Unidade Nacional de Cibercrime no terreno, a ação desencadeada no Grande Porto, Aveiro e Coimbra, permitiu a detenção de dez pessoas, com idades entre os 44 e 77 anos.
Entre os detidos estão três ex-administradores de insolvência, um advogado e seis empresários e comerciantes. Todos eles são suspeitos de pertencerem à rede de Paulo Topa.
O advogado está em prisão preventiva desde dezembro do ano passado, altura em que foi detido pela terceira vez pela PJ por existir um risco de fuga para o Brasil. Nas anteriores detenções foi libertado pelo juiz de instrução criminal.
O esquema passava pela apresentação de créditos fictícios e documentação forjada que garantiam o reconhecimento de credores sem que as dívidas fossem comprovadas. Conseguiam suspender a ação dos reais credores e os créditos falsos permitiam a apropriação de bens e asseguravam a aprovação dos planos de recuperação que eram depois utilizados pelos devedores para seu proveito.
Através da operação da PJ, foram realizadas 18 buscas domiciliárias, em empresas e escritórios de advogados que permitiram a apreensão de documentação, material informático, objetos de luxo e viaturas de alta gama.
Em causa estão crimes de associação criminosa, corrupção e branqueamento de capitais. Os detidos serão esta quarta-feira presentes a juiz no Tribunal de Instrução criminal do Porto.