Advogado pedófilo recebeu um salário equiparado ao de ministro
O advogado trabalhou durante dez meses como adjunto da ministra da Justiça do segundo Governo liderado por António Costa.
Paulo Abreu dos Santos exerceu funções no gabinete da ex-ministra Catarina Sarmento e Castro, entre setembro de 2022 e 1 de setembro de 2023. Abreu dos Santos optou pelo estatuto remuneratório previsto no decreto de lei número 11/2012, de 20 de janeiro, aprovado pelo Governo de Pedro Passos Coelho, em que o trabalhador “pode optar pelo vencimento ou retribuição-base mensais médios” que recebia no ano anterior à nomeação, desde que não ultrapasse a remuneração prevista para o membro do Governo ao qual estava subordinado.
O advogado pedófilo poderia ter ganhado mais, mas, neste período, ainda vigorava o corte salarial de 5% dos titulares de cargos políticos e os gestores públicos, que esteve em vigor entre 2010 e 2025.
Segundo foi possível apurar, uma fonte que privou com Paulo Abreu dos Santos revelou que o advogado teve uma presença muito curta e discreta no Ministério da Justiça.
A saída do gabinete de Catarina Sarmento e Castro não surpreendeu os colegas e surgiu por vontade do próprio, numa altura em que Paulo Abreu dos Santos, já tinha manifestado estar cansado do ritmo de trabalho.
A mesma fonte disse que a passagem do advogado pelo Ministério aconteceu sem registo de incidentes ou incompatibilidades.
A ex-ministra Catarina Sarmento e Castro destacou em 2023 numa nota de louvor, o enorme rigor técnico e as notáveis capacidades de trabalho e de organização de Paulo Abreu dos Santos, tornando-se um elemento fundamental daquele gabinete.
Tentámos falar com a ex-ministra, mas até ao fecho desta reportagem, Catarina Sarmento e Castro não respondeu às tentativas de contacto.
Paulo Abreu dos Santos continua em prisão preventiva, na prisão da Carregueira, por suspeitas de praticar, pelo menos, dois crimes de abuso sexual de crianças e de ter na sua posse centenas de ficheiros de pornografia infantil.