Afeganistão legaliza a violência doméstica: «As mulheres estão condenadas a uma não existência», diz Margarida Rebelo Pinto

| 13 de Junho de 2026 às 00:36
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A escritora traça um retrato do crescente retrocesso nos direitos das mulheres afegãs desde a tomada do poder pelos talibãs em 2021, num "crescendo" que agora culmina numa nova lei de família.

"Quando uma coisa é má, parece que consegue sempre piorar": foi assim que Margarida Rebelo Pinto resumiu a situação das mulheres no Afeganistão, no programa Guerra e Paz com Germano Almeida. A mais recente lei de família aprovada pelos talibãs legaliza a violência doméstica e oficializa o casamento de meninas a partir dos nove anos.

A escritora recordou o percurso de degradação dos direitos das mulheres afegãs desde a tomada do poder em 2021: a retirada das mulheres dos serviços públicos, a proibição do ensino secundário para raparigas, regras de vestuário extremamente restritivas — mais severas do que no Irão, onde é obrigatório o hijab — e a obrigatoriedade de cobrirrem integralmente o rosto com uma rede através da qual "mal veem o que se passa".

A isto somou-se a proibição de as mulheres se afastarem de casa mais de 70 quilómetros sem serem acompanhadas por um Haram — um representante masculino da família.

Uma regra levada ao absurdo: uma mulher de vinte anos pode ser obrigada a ser acompanhada pelo irmão de dez.