Águas de Gaia: Empreiteiro apanhado em escutas telefónicas a falar de alegados subornos

| 29 de Maio de 2026 às 00:11
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Águas de Gaia: Empreiteiro apanhado em escutas telefónicas a falar de alegados subornos

Os arguidos regressam esta sexta-feira a tribunal.

São escutas telefónicas comprometedoras para o empreiteiro António Santos Mota, um dos principais elementos do esquema de viciação de contratos públicos que envolve a Águas de Gaia. Nas conversas ao telefone, o empresário da construção civil falava sobre alegados subornos entregues a funcionários da empresa municipal.   

“Eu pago porque preciso manter os contactos, são muito importantes para mim”: Esta foi uma das frases retiradas das escutas telefónicas realizadas pela PJ do Porto durante a investigação. António Santos Mota estaria a falar sobre refeições que pagou, num valor total de 54 mil euros.   

Para a procuradora do Ministério Público, os almoços e jantares, assim como os envelopes de dinheiro permitiram que fosse estabelecida uma relação de subserviência dos colaboradores da empresa gaiense para com o empreiteiro. Era desta forma que António Santos Mota conseguia favorecimento na atribuição de obras.  

As provas já recolhidas indicam também que José António Martins, ex-diretor na Águas de Gaia também detido, foi o que mais beneficiou do esquema, tendo conseguido vantagens de um milhão de euros.   

Quando ainda era dirigente, criou uma outra empresa para receber contrapartidas financeiras. Terá beneficiado não só António Santos Mota, mas também outros empresários detidos na operação Águas Turvas.  

José António Martins emitia faturas, dando a ideia de que tinha prestado serviços àquelas empresas e assim conseguia justificar as entradas de dinheiro. Já depois de se ter aposentado, implementou um novo esquema.  

Os contratos da Águas de Gaia eram entregues formalmente a este grupo de empresários que recebiam comissões, mas eram depois executados com recurso a funcionários e material da empresa gaiense. Os 13 suspeitos regressam esta sexta-feira ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto.