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Paulo Gil Martins sublinhou a inexistência de uma cultura de segurança face a temperaturas extremas, referindo-se que a construção habitacional no continente foi pensada para reter calor em invernos rigorosos e não para o expulsar durante noites tropicais.
O especialista em alterações climáticas Filipe Agostinho Lisboa, a presidente da QUERCUS, Alexandra Santos Azevedo e o professor do ISEG Paulo Gil Martins estiveram no NOW esta terça-feira para falar sobre o impacto das intensas ondas de calor que afetam a Europa.
Segundo Filipe Agostinho Lisboa, «as alterações climáticas são a maior ameaça para a segurança das populações hoje em dia».
Paulo Gil Martins sublinhou a inexistência de uma cultura de segurança face a temperaturas extremas, referindo-se que a construção habitacional no continente foi pensada para reter calor em invernos rigorosos e não para o expulsar durante noites tropicais.
Alexandra Santos Azevedo destacou a urgência de implementar políticas públicas adequadas e soluções de planeamento urbano, como a criação de mais infraestruturas verdes, miniflorestas e jardins com elevada biodiversidade. Esta aposta permitiria arrefecer as cidades e mitigar o efeito de acumulação de calor provocado pelo cimento e alcatrão, sem aumentar a dependência de ares condicionados, que agravam as emissões nocivas.
Por fim, Filipe Agostinho Lisboa assinalou que a atual onda de calor é intensificada pelo fenómeno El Niño, o que torna vital proteger os grupos mais vulneráveis da sociedade perante cenários meteorológicos cada vez mais severos.