Angola está a negociar financiamento de dois mil milhões de dólares

Jornal de Negócios | 04 de Fevereiro de 2025 às 12:37
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Angola

O levantamento deste montante por parte do Governo angolano está a ser organizado pela Gemcorp Capital, um fundo com sede em Londres que tem um longo histórico e relacionamento com o país. É o tema desta semana do Radar África, do Jornal de Negócios.

Dois mil milhões de dólares, ou cerca de 1,92 mil milhões de euros. É este o montante do financiamento que Angola está atualmente a negociar.

De acordo com as próprias autoridades angolanas, destina-se a quatro fins: financiar projetos de combate à seca, à construção, reabilitação, expansão ou melhoria do sistema de abastecimento de água; a projetos institucionais, operacionais e comerciais relacionados com as empresas públicas de água e ainda a outros de manutenção deste setor. 

A revelação deste financiamento consta no prospeto relativo à emissão de dívida pública de 1,5 mil milhões de dólares que Angola realizou a 27 de dezembro do ano passado.

Neste documento, Angola faz um retrato exaustivo da situação financeira e inclui igualmente uma admissão das fragilidades do sistema judicial angolano e da sua dependência do poder político.

No prospeto fica também visível a longa relação do Tesouro com a Gemcorp enquanto entidade organizadora de programas de financiamento do Estado angolano. Em 2015, 2016 e 2019, a Gemcorp foi responsável por várias assistências financeiras a Angola.

Além, da Gemcorp, o Estado angolano identifica igualmente outras entidades com as quais celebrou programas de formais de assistência financeira, num total de 26.

Entre elas, pelo volume de crédito concedido, destacam-se as instituições financeiras, casos do Banda da China Exim, do Banco de Desenvolvimento da China, do Banco Industrial e Comercial da China e da a Corporação Aero-Tecnológica da China.

Em 2023, o saldo da dívida externa bilateral e comercial devida à China e aos bancos comerciais deste país totalizava mais de 21 mil milhões de dólares, representando 45% do total do endividamento do estado angolano.

Em 2024, o Governo do país estimava necessitar de angariar mais de 30 mil milhões de dólares em receitas, empréstimos e outras fontes para financiar as suas despesas, incluindo o serviço da dívida.