Arguidos acusados de pertencerem a redes de tráfico de droga no Bairro da Pasteleira ficaram em silêncio no julgamento

| 02 de Setembro de 2025 às 18:58
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Bairro da Pasteleira

Na sala de audiência, após recusarem prestar esclarecimentos, surgiram os pedidos de dispensa que mereceram novo alerta por parte da juíza: "Estar presente é do interesse dos senhores. Isto não é uma carta aberta para não aparecerem", disse.

Nenhum dos arguidos quebrou o silêncio no arranque do julgamento, esta terça-feira, no Tribunal de São João Novo. Em causa estão duas redes de tráfico de droga que atuavam no Bairro da Pasteleira, até julho do ano passado.

Segundo a acusação, uma delas, intitulada "Dragão", era liderada por João Tiago, conhecido como "The Blue" e irmão do Barão da Pasteleira. Já a outra teria como líder Sandra Marisa, conhecida no bairro como "a tia", que contava com o apoio do filho Fábio Varela, antigo campeão de pugilismo.

Durante a primeira sessão, a juíza Presidente começou por identificar os arguidos. Alguns deles foram questionados sobre possíveis alcunhas, mas todos negaram.

A pergunta surgiu pelo facto de que nas conversas e áudios relacionados com o tráfico de droga intercetados e anexados ao processo existirem várias alcunhas, em vez do nome dos intervenientes. Perante as respostas, a juíza-Presidente reagiu com ironia: "O Ministério Público fartou-se de inventar alcunhas", disse.

Na sala de audiência, após recusarem prestar esclarecimentos, surgiram os pedidos de dispensa que mereceram novo alerta por parte da juíza: "Estar presente é do interesse dos senhores. Isto não é uma carta aberta para não aparecerem", disse.

Segundo a acusação, as duas redes rivais atuavam de forma organizada e hierarquizada. Com o esquema criminoso, terão arrecadado milhares de euros.

24 arguidos estão acusados de tráfico de droga, João Tiago, Fábio Varela e José Fernando Martins respondem também por detenção de arma proibida. Este último crime é também imputado a uma outra arguida que não estava envolvida nas redes.

João Tiago, Sandra Marisa e David Miguel estão em prisão preventiva. Fábio Varela está a cumprir pena de prisão no âmbito de outro processo. Há ainda outros três arguidos com pulseira eletrónica.

O julgamento retoma esta quarta-feira com a inquirição de testemunhas.