Associações empresariais avisam que impacto do conflito no Médio Oriente para Portugal será grave

Jornal de Negócios | 13 de Março de 2026 às 12:57
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Associações empresariais avisam que impacto do conflito no Médio Oriente para Portugal será grave

A subida do petróleo apanhou a metalurgia quando ainda negociava contratos de compra de gás para este ano, que dificilmente vão escapar a um aumento.

Alerta e preocupação são as palavras de ordem nas empresas portuguesas. Ameaçadas pelos custos crescentes da energia, falam numa situação potencialmente “dramática” e pedem ação ao Governo.  

O setor da metalurgia, o líder nacional das exportações, protege-se todos os anos da volatilidade dos preços da energia através das compras conjuntas feitas pela associação do setor. Através desse mecanismo, as empresas ganham maior poder de fogo nas negociações anuais com fornecedores e conseguem previsibilidade e preços mais baixos na eletricidade e no gás. 

Neste ano, no entanto, o calendário não ajudou, já que o conflito surgiu antes da conclusão das negociações — que ainda decorrem —, pelo que "dificilmente" deixará de haver uma subida face aos valores de 2025. Esse é apenas um dos fatores da equação que resulta em dificuldades acrescidas para o setor.  

Embora os mercados do Médio Oriente não estejam no top 10 dos destinos das exportações portuguesas, isso não livra as empresas de sofrerem impactos por outras vias. Ainda não sabem quantificar a extensão dos danos, mas os efeitos mais evidentes já se verificam, sobretudo nos custos de energia, de transporte, do aprovisionamento e dos preços das matérias-primas. 

A associação do setor alerta que é essencial que a situação seja transitória. Caso contrário, as consequências poderão ser muito mais graves. 

Considera por isso "fundamental que o Governo atribua prioridade máxima à definição e execução de um plano estratégico nacional integrado, focado na resiliência económica e industrial".  

As medidas podem ir desde a segurança energética ao reforço da base industrial, incentivando compras, nomeadamente públicas, junto de empresas nacionais".