Segundo a autarca o município está empenhado em "salvar negócios e pequenos negócios" da cidade.
A presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, queixou-se esta segunda-feira da burocracia nos processos para a obtenção de apoios do Estado por parte de quem sofreu prejuízos com as cheias que se registaram na cidade.
"Temos verificado, nos últimos dias, com as candidaturas, que é muita burocracia e muitos documentos solicitados às pessoas para preencher", lamentou a autarca, em declarações aos jornalistas.
Clarisse Campos deu como exemplo o apoio para a recuperação de casas, do qual foi divulgado que, para se usufruir de cinco mil ou 10 mil euros, "bastava juntar fotografias e dar entrada com o processo", garantindo que isso "não está a acontecer".
A presidente do município sugeriu aos jornalistas que ouvissem os habitantes da cidade que já tentaram candidatar-se a estes apoios para perceberem "o desânimo que se está a instalar no seio da comunidade".
Segundo a autarca, o município está também empenhado em "salvar negócios e pequenos negócios" da cidade, insistindo que é necessário "apoiar a fundo perdido" os empresários e comerciantes.
"De outra forma, a maior parte deles não vai conseguir abrir ou aqueles que reabrirem pouco tempo depois vão fechar porque não vão conseguir manter-se a funcionar sem um apoio financeiro a fundo perdido", salientou.
Referindo que o ministro da Agricultura atribuiu esse tipo de apoio aos agricultores do concelho, Clarisse Campos questionou: "porque é que os nossos comerciantes e os pequenos serviços não podem ter um tratamento igual?".
"E é isto que nos está a preocupar e nos faz trazer a este local o presidente da Assembleia da República e os senhores deputados, para nos poderem ajudar a transmitir ao Governo a importância deste apoio a fundo perdido", acrescentou.
A autarca falava aos jornalistas no final de uma visita do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, às zonas afetadas pelas cheias em Alcácer do Sal, na sequência das intempéries, integrada no roteiro "Parlamento Próximo" dedicado ao distrito de Setúbal.
Devido à subida do caudal do Rio Sado provocada pela chuva intensa, a marginal e a Avenida dos Aviadores, em Alcácer do Sal, estiveram inundadas durante vários dias, desde o final de janeiro e até meados deste mês.
Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou em 15 de fevereiro.