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Catarina Caria esteve no concerto e descreve um espetáculo carregado de mensagens políticas, desde a recusa em atuar nos EUA ao apelo a "bailar sem medo", numa altura de perseguição à comunidade latina.
Mais do que um concerto, o espetáculo de Bad Bunny em Lisboa foi um ato político. É assim que Catarina Caria descreveu o concerto, esta quarta-feira, no programa Guerra e Paz com Germano Almeida, numa análise que liga o palco Estádio da Luz ao clima de tensão que se vive nos Estados Unidos para a comunidade latina sob a administração de Donald Trump.
Tudo começou no Super Bowl, no início do ano, onde Bad Bunny subiu a um dos palcos mais simbólicos da cultura norte-americana para deixar uma mensagem de unidade, num país cada vez mais polarizado e onde as perseguições do ICE à comunidade latina se intensificam.
"Foi um espetáculo com uma energia incrível. Acima de tudo senti essa mensagem política que hoje em dia não tem de ser só feita através de palcos políticos. Pode ser precisamente através da cultura e da arte", afirmou Catarina Caria.
A decisão de excluir os Estados Unidos desta digressão mundial não foi acidental. Bad Bunny escolheu deliberadamente não atuar em território norte-americano, pelo receio que a comunidade latina pudesse sentir face às operações do ICE.
Uma tomada de posição que, segundo Catarina Caria, atravessou toda a noite em Lisboa: "Fez imensas vezes referência a que bailemos sem medo, precisamente num clima de algum receio por parte da comunidade latina."
No final, a mensagem foi de esperança. "Bad Bunny deixa-nos com uma reflexão muito importante, de que a vida é para ser vivida, que não devemos pensar nas coisas más do passado e que devemos abraçar estes momentos e tirar mais fotografias", afirmou Catarina Caria, descrevendo um espetáculo que, garante, terá deixado "muitas pessoas emocionadas".