Conflito no Médio Oriente está a elevar preços na energia acima do esperado, com impacto na generalidade dos bens e serviços. BCE mais pessimista, espera agora inflação mais elevada e crescimento inferior ao estimado em março.
Com os preços dos produtos energéticos a crescerem mais do que o esperado, o Banco Central Europeu (BCE) mostra-se mais pessimista para a Zona Euro, esperando agora que a inflação atinja 3% e que o PIB cresça apenas 0,8% este ano.
De acordo com novas projeções publicadas nesta quinta-feira, 11 de junho, o BCE vê a inflação atingir 3% este ano, acima dos 2,6% esperados em março, quando apresentou as suas últimas estimativas. Os valores para 2027 também são revistos em alta, para 2,3%, quando antes a autoridade monetária apontava para 2%.
Esta revisão em alta deve-se "à trajetória mais elevada dos preços dos produtos energéticos, a qual deverá, em certa medida, repercutir-se na inflação dos preços dos produtos alimentares, dos bens e dos serviços", explica o BCE em comunicado.
Mas a entidade liderada por Christine Lagarde também reviu em baixa as suas estimativas para o crescimento da economia da Zona Euro. Agora, a previsão é que o PIB dos 21 países da moeda única cresça 0,8% este ano e 1,2% em 2027, abaixo dos 0,9% e 1,3% esperados em março.
"Estes valores representam uma revisão em baixa para 2026 e 2027, refletindo um impacto mais pronunciado da guerra nos mercados de matérias-primas, nos rendimentos reais e na confiança", justifica a entidade sediada em Frankfurt.
Só em 2028 é que a inflação deverá voltar ao objetivo de médio prazo do BCE: os 2%. Na realidade, e ao contrário do que acontecia nas projeções divulgadas em março, e que foram as primeiras que tentaram medir o impacto da guerra no Médio Oriente, a entidade considerava que o impacto do conflito fosse temporário. Essa referência desaparece nas projeções desta quinta-feira.
Ainda assim, o BCE frisa que "as perspetivas mantêm-se incertas, com riscos em sentido ascendente para a inflação e em sentido descendente para o crescimento económico".
"As plenas implicações da guerra para a inflação e o crescimento a médio prazo vão depender da intensidade e da duração do choque sobre os preços dos produtos energéticos, assim como da magnitude dos seus efeitos indiretos e de segunda ordem", afirma a entidade.
(Notícia em atualização)