Guerra e Paz
No entanto, continuou por reconhecer que Donald Trump mostrou uma "certa flexibilidade" ao estabelecer um acordo com a China.
Bruno Maçães, autor do livro "Construtor de Mundos", foi o convidado do programa Guerra e Paz desta terça-feira, que conta com o especialista em Assuntos Internacionais, Germano Almeida. "A Tecnologia vai definir a Geopolítica?" foi a pergunta de partida desta edição.
Questionado por Germano Almeida sobre se o Presidente chinês, Xi Jinping, aproveitou o momento de "caos das tarifas" dos Estados Unidos para mostrar que a China já está em condições de "se bater igual para igual" e de não ceder à superpotência norte-americana, Bruno Maçães respondeu positivamente.
"Absolutamente. Eu acho, aliás, que quando os historiadores escreverem sobre o ano de 2025, que talvez o momento mais importante [que vão registar], pelo menos até agora, não será esta Guerra dos 12 dias [entre Israel e Irão], mas sim o momento em que os Estados Unidos, convencidos de que a China estava numa posição absolutamente débil, convencidos de que a China ainda era a China de 1995, ou no máximo a China de 2005, adotaram aquela política de agressão máxima, tiveram que, muito rapidamente, recuar em toda a linha", destacou.
Segundo Bruno Maçães, a afirmação da China como superpotência foi uma "demonstração de que o estado das coisas já é muito diferente".
No entanto, continuou por reconhecer que Donald Trump mostrou uma "certa flexibilidade" ao estabelecer um acordo com a China no âmbito de taxas aduaneiras, uma vez que "as coisas podiam ter corrido muito mal".
"Se ele tivesse forçado essa política, o que poderíamos ter visto era problemas imensos de inflação nos Estados Unidos, de prateleiras vazias, da indústria automóvel a parar porque não teria acesso às terras raras chinesas. Apesar de tudo, Trump decidiu moderar a sua política", vincou.