Calor chega em força: «Em algumas zonas urbanas podemos chegar até quase aos 50 graus»

Rita Carmona Direito | 17 de Junho de 2026 às 14:27
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Nas áreas florestais, o perigo de incêndios agrava-se devido às trovoadas secas e à acumulação de matéria vegetal.

Filipe Agostinho Lisboa, especialista em alterações climáticas, falou no NOW sobre alterações climáticas, alertando que as ondas de calor extremas deixarão de ser uma exceção para se tornarem uma constante em Portugal, devido à combinação do fenómeno El Niño com o aquecimento global.

Destacou que esta realidade representa uma tempestade perfeita com graves consequências a nível global e nacional.

«Um dos efeitos principais do El Nino é que realmente as ondas de calor, que não vão ser uma raridade, vão ser uma coisa constante no nosso território», afirmou.

A nível global, preveem-se impactos económicos, escassez agrícola, nomeadamente na importação de leguminosas do Brasil, e o aumento de movimentos migratórios.

Em Portugal, o risco divide-se entre as zonas rurais e urbanas.

Nas áreas florestais, o perigo de incêndios agrava-se devido às trovoadas secas e à acumulação de matéria vegetal, recordando-se a tragédia de Pedrógão Grande.

Nas cidades, as temperaturas podem atingir quase os cinquenta graus.

A falta de preparação urbana foi sublinhada, dando-se o exemplo de Lisboa, que possui apenas dezasseis por cento de cobertura vegetal, valor muito inferior aos trinta por cento recomendados pela Agência Europeia do Ambiente para a criação de refúgios climáticos.