Carlos Brandão foi demitido de funções no dia em que a residência e o gabinete no Novo Banco foram alvo de buscas

Jornal de Negócios | 08 de Janeiro de 2025 às 11:11
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Carlos Brandão

As suspeitas começaram a ser detetadas em outubro e o gestor esteve a ser vigiado pela Polícia Judiciaria até ao início deste ano.


Perfil reservado, poucas emoções e um percurso sem sobressaltos no setor financeiro. Foi o caso apanhou quase todos de surpresa.

Em outubro, um conjunto de operações financeiras suspeitas fizerem soar os alarmes no novo banco e levaram a instituição financeira a abrir uma investigação, que levou a uma queixa junto do Ministério Público.

Carlos Brandão, até aqui chief risk officer do Novo Banco, foi demitido ontem por suspeitas de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e falsificação.

O Negócios sabe que se tratam de transações financeiras detetadas na conta pessoal do antigo administrador, realizadas por conta própria e ligadas ao imobiliário.

Entre as operações suspeitas, estarão os valores associados à compra e posterior venda de um imóvel.

Desde a denúncia, o Ministério Público já abriu um inquérito e, com a ajuda da Polícia Judiciária, andou a vigiar os movimentos bancários e ações de Carlos Brandão nos últimos meses.

Num email enviado aos trabalhadores a que o Negócios teve acesso, o CEO do Novo Banco confirma que, para não interferir com a investigação, foi necessário manter Carlos Brandão no cargo e garantir a confidencialidade do caso.

O anúncio da demissão foi comunicado pelo Novo Banco à CMVM no mesmo dia em que o administrador foi confrontado com buscas do Ministério Público e da PJ na sua residência e numa segunda habitação. Segundo um comunicado da Procuradoria-Geral da República, foram constituídos dois arguidos neste caso, Carlos Brandão e a mulher.