Cátia Moreira de Carvalho: "Ser jovem é um fator de risco para a radicalização"

Joana Ramalho | 03 de Maio de 2025 às 00:10
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Guerra e Paz

Segundo a investigadora, a "procura de sensações e aventura" é comum nas pessoas mais jovens, o que pode aumentar o fator de risco para a radicalização.

A investigadora em Extremismo e Radicalização Cátia Moreira de Carvalho foi a convidada do programa Guerra e Paz desta sexta-feira, que conta com o especialista NOW Germano Almeida. "Que futuro se espera para a Ucrânia?" foi a questão de partida desta edição.

Cátia Moreira de Carvalho afirmou que, "na área do terrorismo ou do extremismo", os jovens apresentam como um "dos fatores de risco", bem como "ser homem e residente no país onde nasceu", contrariando, assim, "aquelas narrativas que dizem que são os migrantes que trazem, por exemplo, o terrorismo para a Europa".

Segundo a investigadora, os jovens que apresentam como fator de risco para a radicalização procuram, por norma, por "uma casa onde pertencer", nomeadamente dentro de um grupo social, e, "muitas vezes", são jovens que podem vir de contextos mais "empobrecidos".

"É a ausência de pertença a um grupo que lhes dê uma identidade. Não estavam integrados. É uma procura de identidade social (…). E depois temos a questão da procura de sensações e aventura. Isto acontece sempre em idades mais jovens", explicou.

A investigadora usou como exemplo a radicalização dos jovens no espaço digital.

"O que está a acontecer hoje em dia é que nós vemos cada vez mais jovens a radicalizarem-se online, em que os jovens até participam em jogos. Não quer isto dizer que jogar online vá levar necessariamente ao extremismo ou à radicalização, mas pode ser um dos caminhos e, portanto, nós vemos hoje em dia cada vez mais jovens, menores mesmo, a radicalizarem-se online. E isto é um problema", concluiu.