Cerca de 180 contentores do setor da pedra no valor de 2,5 milhões de euros retidos por causa da guerra no Irão
O Médio Oriente figura como um importante mercado para a pedra portuguesa, em particular para as mármores e calcários. Os impactos da guerra na indústria estão longe de ficar por aqui.
A guerra no Médio Oriente está a provocar uma verdadeira derrocada nas cadeias logísticas e arrisca passar uma fatura pesada à indústria portuguesa da pedra natural. As empresas do setor dizem estar a braços com "elevadas taxas", introduzidas "a meio do jogo", isto sem falar das repercussões da escalada dos preços da energia, que pesam 40% nos custos.
A Associação Portuguesa da Indústria dos Recursos Minerais revelou ao Negócios que tem cerca de 180 contentores parados, com cargo no valor de 2,5 milhões de euros.
Portugal é o sétimo maior produtor mundial de pedra natural. Em 2025, as exportações chegaram a 450 milhões de euros, com pouco mais de metade absorvidas pela europa. O Médio Oriente figura como "um mercado muito importante sobretudo para mármores e calcários", pelo que o conflito está a ter "um impacto bastante grande".
Não só "há casos de contentores presos nos portos nacionais e outros em internacionais — e não só por causa do Estreito de Ormuz — há empresas que foram chamadas a retirar a carga dos contentores e a devolvê-los vazios, o que "acarreta custos acrescidos.
Já as empresas que veem as suas mercadorias seguir viagem são confrontadas com a imposição de taxas adicionais que estão a ser cobradas pelos grandes armadores e que, em alguns casos, já chegam aos 2500 dólares por contentor.
Há ainda o problema das seguradoras em contextos de catástrofe e de instabilidade geopolítica, que a associação acusa de não dar uma resposta adequada.