Conflito entre República Democrática do Congo e Ruanda: ONU alerta para o sofrimento da população em Goma

| 29 de Janeiro de 2025 às 11:07
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Congo

A organização das Nações Unidas apela também ao retorno das negociações entre as duas partes envolvidas no conflito no leste do Congo.

O agravamento do conflito entre a República Democrática do Congo (RDC) e Ruanda tem gerado preocupação internacional. A enviada das Nações Unidas na RDC, Vivian van de Perre, descreveu a situação da população na cidade do Goma como "verdadeiramente inimaginável", sublinhando a urgência de medidas para conter a crise humanitária.

Vivian van de Perre defendeu a necessidade urgente de retomar o processo de negociação em Luanda para evitar uma terceira guerra no Congo. "Recordamos a todas as partes que têm a obrigação de respeitar o direito humanitário internacional e salientamos que os ataques às forças de manutenção da paz das Nações Unidas podem constituir crimes de guerra", alertou.

A ministra dos Negócios Estrangeiros da RDC, Thérèse Kayikwamba Wagner, apelou ao Conselho de Segurança da ONU para agir de forma decisiva, exigindo sanções específicas contra os líderes militares e políticos de Ruanda.

"O que mais fará Ruanda para continuar a abusar do vosso respeito e da vossa autoridade? Que outro instrumento internacional terá de violar para que o Conselho tome finalmente as medidas necessárias contra Kigali?", questionou.

Thérèse Kayikwamba Wagner criticou a comunidade internacional por não agir de forma eficaz, afirmando que Ruanda tem desrespeitado constantemente tratados e acordos, incluindo a Carta das Nações Unidas, o direito humanitário internacional e os processos de paz de Luanda e Nairobi. "Ruanda provou repetidamente que as vossas declarações significam absolutamente nada", acusou a ministra.

Por outro lado, o embaixador do Ruanda nas Nações Unidas, Ernest Rwamucyo, rejeitou as acusações e culpou o Presidente congolês, Félix Tshisekedi, pela crise no leste da RDC.

"A deterioração da segurança no leste do Congo tem apenas uma causa imediata: a obsessão do Presidente da RDC por uma solução militar e a sede de mudanças rápidas no Ruanda", declarou.  Reiterou ainda que a crise poderia ter sido resolvida se Tshisekedi tivesse demonstrado vontade política e boa-fé para encontrar uma solução duradoura. 

O conflito entre a RDC e Ruanda continua a suscitar receios de uma guerra regional, com impacto devastador na estabilidade e na população civil.