Desigualdade volta a subir no Brasil em 2025 apesar do aumento do rendimento médio

Rita Carmona Direito | 09 de Maio de 2026 às 10:40
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Aumento reflete uma reversão parcial da melhoria observada nos últimos anos.

A desigualdade voltou a aumentar no Brasil em 2025, após ter atingido o nível mais baixo da série histórica em 2024, com os rendimentos dos mais ricos a crescer a um ritmo muito superior ao dos mais pobres.

O coeficiente de Gini do rendimento per capita, principal indicador de desigualdade no mundo, subiu de 0,504 em 2024 para 0,511 no ano passado no Brasil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados esta sexta-feira.

Embora o nível de desigualdade continue abaixo do registado antes da pandemia da COVID-19, o aumento reflete uma reversão parcial da melhoria observada nos últimos anos e demonstra que este problema histórico continua a ser grave no gigante latino-americano.

Segundo o IBGE, a reversão deveu-se ao facto de o rendimento dos 10% mais pobres ter aumentado 3,1% em termos reais em relação a 2024, enquanto o dos 10% mais ricos avançou 8,7%, quase o triplo.

Além disso, em 2025, os 10% mais ricos da população concentraram 40,3% de toda a massa de rendimentos familiares do país, uma proporção superior à acumulada conjuntamente pelos 70% dos brasileiros com rendimentos mais baixos.

Por outro lado, o rendimento dos 10% mais ricos equivalia, em média, a 13,8 vezes a dos 40% mais pobres, contra uma relação de 13,2 vezes em 2024.

Apesar da deterioração registada no último ano, o panorama a longo prazo aponta para uma melhoria relativa para os setores de rendimentos mais baixos. Desde 2019, o rendimento dos 10% mais pobres acumulou um crescimento real de 78,7%, contra um aumento de 11,9% registado entre os mais ricos.

O Governo atribui essa melhoria estrutural ao fortalecimento do mercado de trabalho, aos aumentos do salário mínimo e à expansão dos programas sociais nos últimos anos.

O estudo revelou igualmente que a desigualdade aumentou, apesar de o rendimento médio dos brasileiros ter registado um recorde no ano passado.

O rendimento médio mensal real dos brasileiros no ano passado atingiu 3.367 reais (cerca de 580 euros), um aumento de 5,4% em relação ao ano anterior e o nível mais alto desde o início da série, em 2012.

O rendimento per capita dos agregados familiares também atingiu um máximo histórico, com 2.264 reais mensais (cerca de 390 euros), enquanto 67,2% dos 212,7 milhões de habitantes do país declararam ter algum tipo de rendimento, a maior percentagem alguma vez registada.

O organismo alertou que, apesar dos avanços acumulados desde a pandemia, o Brasil continua a ser um país com níveis de desigualdade "bastante acentuados".