Segundo o documento, a responsabilidade das 'fakenews' é da Rússia e o caso ganha particular força em França.
A desinformação russa tem aumentado exponencialmente desde janeiro e permitido enganar os leitores através de falsos conteúdos jornalísticos que imitam os códigos dos meios de comunicação tradicionais, indica esta terça-feira um relatório da organização NewsGuard.
Segundo o documento, citado pela agência noticiosa France-Presse (AFP), a responsabilidade das 'fakenews' é da Rússia e o caso ganha particular força em França, onde, desde o início do verão, foram divulgados 85 falsos conteúdos jornalísticos relacionados com as eleições presidenciais previstas para a primavera de 2027.
Segundo adiantou à AFP Chine Labbé, diretora editorial da NewsGuard, de uma forma geral, "há uma intensificação das campanhas russas antes das eleições" e, no caso francês, "começou nove meses antes da votação, o que é muito cedo".
Este fenómeno de usurpação de identidade é observado desde o início da ofensiva militar russa na Ucrânia, em fevereiro de 2022, e ganhou dimensão no primeiro semestre de 2026, segundo o relatório da NewsGuard.
A organização, que analisa a fiabilidade de portais e conteúdos na Internet, identificou, desde 2022, cerca de 906 conteúdos jornalísticos produzidos no âmbito de operações de influência russas que usurparam a identidade de meios da imprensa.
Estas operações incidem particularmente sobre meios de comunicação europeus, "provavelmente devido ao apoio" destes países à Ucrânia, e visam em larga escala a França, com oito meios entre os 15 cuja identidade foi mais frequentemente usurpada.
Com o seu posicionamento europeu, o canal Euronews é o principal alvo, com 82 falsos conteúdos jornalísticos identificados entre março de 2023 e setembro de 2026, muito à frente do Libération (39), do Charlie Hebdo (35) ou ainda da Agência France-Presse (20), salienta o relatório. Entre os outros meios frequentemente visados estão a BBC, a Deutsche Welle e o Politico.
"Em cada caso, as campanhas russas desviam os logótipos e as identidades gráficas das marcas, chegando por vezes a criar um novo site com um endereço URL semelhante ao original", descreve a NewsGuard.
Embora o modo de atuação seja frequentemente o mesmo, as narrativas são mais variadas — falsas acusações de pornografia infantil, declarações ameaçadoras ou insultuosas inventadas de raiz, entre outras — e têm como objetivo minar a confiança nos meios de comunicação social.
Estas operações são atribuídas aos modos de atuação pró-russos 'Matriochka', o mais conhecido e prolífico, e 'Storm-1516', mais sofisticado e com narrativas mais complexas.
A respetiva utilização aumentou, nomeadamente, graças aos progressos da inteligência artificial generativa, que permite criar facilmente vídeos falsos ou artigos falsos muito credíveis.