Dois homens em prisão preventiva por simular atropelamentos para burlar doentes à saída dos hospitais

| 28 de Junho de 2026 às 13:19
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Dois homens presos preventivamente por simular atropelamentos para burlar doentes à saída dos hospitais

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Há um outro suspeito, mas esse está apenas identificado. O caso está em fase de inquérito, mas o Ministério Público está prestes a terminar a acusação.

O esquema surpreendeu até as autoridades. Idosos e pessoas vulneráveis, todas com idades superiores aos 70 anos, eram estes os alvos de um grupo suspeito de assaltos. Atuavam em parques de estacionamento de centros comerciais em Oeiras e hospitais de Lisboa.    

O grupo terá atuado entre finais de 2024 e março deste ano. Segundo a investigação, os suspeitos simulavam terem sido atropelados enquanto os visados faziam marcha-atrás. Na abordagem aos condutores diziam que tinham sofrido lesões ou ficado com os telemóveis partidos, sobretudo os ecrãs.   

Tudo não passava de uma farsa. O esquema tinha como único objetivo pressionar as vítimas a entregar dinheiro. As vítimas entregavam o montante exigido sem resistência ou então eram ameaçadas e perseguidas. Um casal chegou a ser seguido até à porta de casa. Temendo pela vida, entregaram o dinheiro que tinham na sua posse.   

Dos três suspeitos, dois ficaram presos preventivamente e o juiz de instrução criminal de Cascais foi arrasador. 

“Manifestaram total desrespeito pelos mais elementares valores que a norma penal pretende proteger, desprezando a integridade psicológica, o seu bem-estar e sentimento de segurança, bem sabendo que se tratava de pessoas fragilizadas que hoje seguramente têm receio de ser expostas, assim como desprezando as capacidades e situação financeira em que ficariam as vítimas em detrimento do prazer imediato que procuravam, subtraindo-lhes os valores que pudessem dispor no imediato na conta bancária”, disse. 

Um dos casos identificados aconteceu em setembro do ano passado. A vítima, um homem de 77 anos com parkinson, saía de um supermercado em Linda-a-Velha quando os criminosos já o esperavam. O carro da vítima estava num dos lugares reservados a pessoas com deficiência.   

Mal saiu, o doente ouviu baterem-lhe com a mão no vidro traseiro. Era um dos arguidos a gritar questionando se o idoso o queria matar. A vítima ficou em pânico e prontificou-se logo a ajudar. Os arguidos mostraram um ecrã de telemóvel partido e em poucos minutos, sacaram 400 euros ao doente que se deslocou a uma caixa de multibanco para fazer os levantamentos.   

Um dos detidos ainda propôs ressarcir as vítimas entregando o dinheiro roubado, uma vez que tinha recebido 16 mil euros de herança da avó. A proposta não colheu. Ainda existe um outro suspeito, mas esse está apenas identificado.   

A PSP, que investigou este caso, conseguiu prova para dez situações, mas poderá haver muitas mais vítimas. O caso está agora em fase de inquérito e o Ministério Público está prestes a finalizar a acusação.