Guerra e Paz
A politóloga alerta que a encíclica de Leão XIV identifica a IA não como tecnologia, mas como ameaça à dignidade humana, agravada pela aliança entre líderes políticos e tecnooligarcas.
No programa Guerra e Paz com Germano Sousa, Sílvia Mangerona analisou esta quinta-feira a primeira encíclica do Papa Leão XIV, sublinhando a ligação que o documento estabelece com a tradição da doutrina social da Igreja, em particular com a encíclica Rerum Novarum de Leão XIII, de 1891, que respondeu ao surgimento do operariado na revolução industrial.
Agora, as "coisas novas" já não são o nascimento de uma nova classe trabalhadora, mas precisamente o seu desaparecimento, substituído pelas transformações impostas pela inteligência artificial.
Para a politóloga, a mensagem do Papa é clara e perturbadora: a IA não é abordada na encíclica como uma tecnologia neutra, mas pela forma como é aplicada, e pela forma como os líderes políticos se aliam aos chamados tecnooligarcas, colocando o desenvolvimento dessa tecnologia acima da própria pessoa humana e dos próprios Estados.
"A inteligência artificial, dizemos com alguma facilidade esta expressão, mas é um mundo muito desconhecido", concluiu, deixando no ar uma advertência que o Papa transformou no ponto de partida do seu pontificado.