Os eleitores suíços rejeitaram este domingo, em referendo, uma iniciativa da direita radical para limitar a população a 10 milhões até 2050, com projeções nacionais a indicarem vitória do "não", segundo a radiotelevisão estatal SRF.
A proposta, promovida pela União Democrática do Centro (UDC), previa a introdução de restrições à imigração caso a população ultrapassasse determinados limiares antes de 2050.
Entre as medidas estavam limitações ao asilo, ao reagrupamento familiar e às autorizações de residência, podendo ainda pôr em causa o acordo de livre circulação de pessoas entre a Suíça e a União Europeia.
O Governo suíço, bem como sindicatos e associações empresariais, opunham-se à iniciativa, alertando para impactos económicos e para o agravamento da escassez de mão de obra qualificada.
O Grupo do Partido Popular Europeu no Parlamento Europeu, aliado da UDC, considerou a derrota do referendo uma "decisão que deve ser respeitada", enquanto o partido suíço sublinhou a elevada participação eleitoral, defendendo que o tema do limite populacional merece novas discussões.
O plebiscito voltou a evidenciar a divisão entre zonas urbanas e rurais, com destaque para o cantão de Appenzell Innerrhoden, no nordeste, onde residem poucos estrangeiros e cerca de 66% dos votantes aprovaram a proposta.
Segundo dados oficiais, a população suíça é atualmente estimada em cerca de 9,1 milhões de habitantes, com mais de um quarto de origem estrangeira.
A iniciativa previa que, caso o país atingisse 9,5 milhões de habitantes antes de 2050, o executivo fosse obrigado a adotar medidas corretivas na política migratória.
A Suíça realiza referendos federais com regularidade, geralmente quatro vezes por ano, permitindo aos eleitores decidir diretamente sobre iniciativas legislativas e constitucionais.
A imigração tem sido um tema recorrente no debate político suíço, com várias propostas restritivas apresentadas nas últimas décadas, embora poucas tenham sido aprovadas.