"Emmanuel Macron habitua-nos a um tipo de política que é um bocado bizarro", afirma Afonso Moura

| 31 de Julho de 2025 às 00:43
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Guerra e Paz

O geopolítico explicou a influência da política do Presidente francês no país e em Gaza.

O geopolitólogo Afonso Moura foi o convidado do programa Guerra e Paz desta quarta-feira, que conta com Germano Almeida. O tema desta edição teve como questão de partida "A França é o grande poder continental europeu?"

Questionado sobre a sua opinião relativamente à decisão do Presidente Francês, Emmanuel Macron, de reconhecer a Palestina, Afonso Moura disse que Macron tem habituado a Europa a um tipo de política "bizarro".

Recorda que, nos seus tempos universitários, Emmanuel Macron escreveu um "memoir" sobre o autor Nicolau Maquiavel, mas que, desde que ocupou o cargo de Presidente, esse trabalho académico desapareceu.

"Acho que, em alguma medida, Macron esqueceu-se de perceber que a continuação de Maquiavel acabou por ser Jean Bodin, com o seu decisionismo", afirmou o especialista, referindo-se ao político e jurista francês reconhecido pelos seus estudos sobre os conceitos de soberania e absolutismo dos Estados.

Afonso Moura explicou que "isto é uma maneira de fazer as coisas muito típica de Macron".

"Ele diz que vai reconhecer [a Palestina], mas afinal ainda não reconheceu. Depois tem exigências, por exemplo, ao Hamas", acrescentou.

Faz ainda questão de mencionar que esta forma de agir de Emmanuel Macron também tem impacto na política francesa, nomeadamente no aumento das sondagens de Marine Le Pen, líder do partido Rassemblement National.

"Ele está a vender uma deriva extremista ou radical de Israel e aponta não só o Likud, [partido de Benjamin Netanyahu], como também os seus aliados mais à direita", concluiu.