Entrada de carros usados no mercado nacional continua a subir e atinge novo recorde de 120 mil veículos importados
O presidente da ACAP destacou a venda de elétricos em Portugal, mas chamou a atenção para a gravidade da escassa rede de carregamentos.
Ao mesmo tempo que as vendas de novos veículos ligeiros de passageiros têm vindo a crescer e superaram, no ano passado, os níveis pré-pandemia, a entrada de carros importados no mercado nacional continua também a ganhar terreno.
Os dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) mostram que no ano passado foram importados 120 mil carros, um novo recorde no setor. No entanto, há um rácio que preocupa o presidente da ACAP: este valor representa mais de metade do total de veículos novos no mercado.
No balanço anual da ACAP em Lisboa, Sérgio Ribeiro revelou ainda que, além do elevado número de importações, elevado é também a idade média destes automoves.
De acordo com os dados recolhidos pela associação, estes carros estão perto dos oito anos, 36% do total têm entre 5 e 10 anos e 19% tem entre dez e 15 anos. Há ainda uma “fatia” de 2% que chegam ao país com mais de 20 anos.
Os números vão em contraciclo com os objetivos de descarbonização do parque automóvel, até porque são, na sua maioria, a combustão. Apenas 21% dos importados são 100% elétricos.
Portugal é o sexto país da União Europeia onde as vendas de elétricos e eletrificados mais crescem. No entanto, o rácio de postos de carregamento, em comparação com a média do bloco, começa a preocupar o setor.
Segundo a ACAP, por cada mil habitantes há praticamente um posto de carregamento, abaixo dos dois postos na União Europeia.
Sérgio Ribeiro diz que a situação começa a ser grave e que o esforço para a criação destas infraestruturas é pouco, dado o crescimento destas vendas. No ano passado venderam-se mais de 50 mil elétricos.